A mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 21/08/2020
A canção “O dia em que a Terra parou” do cantor Raul Seixas, relata um sonho no qual ninguém saiu de casa e por isso a Terra parou. Analogamente, pode-se dizer que o sonho descrito pode realmente concretizar-se, ainda que por uma razão totalmente oposta: o dia em que todos decidirem sair de casa. Diante disso, o caos gerado pelo excesso de pessoas e veículos é realidade na maioria dos grandes centros. Sendo assim, no Brasil, a questão da mobilidade urbana evidencia a inoperância estatal diante dos transportes públicos e congestionamentos.
A princípio, a causa dos problemas de circulação no Brasil relaciona-se com a má qualidade dos transportes públicos. Sob esse viés, muitas pessoas optam pelo uso do transporte individual em detrimento do coletivo, principalmente devido à superlotação. Ademais, a liquidez do tempo definida por Bauman, identifica nos indivíduos a necessidade de otimizar o tempo e viver em fluxo intenso. Sendo assim, as pessoas procuram o meio de transporte que levará menos tempo.
Como consequência, ruas e avenidas dos grandes centros do país estão superlotadas de veículos, gerando longos e estressantes congestionamentos. Sendo assim, esse fator implica questões ambientais e também de saúde pública. Diante disso, tem-se o cansaço físico e mental causado pelas más condições de mobilidade e, o excesso de veículos nas ruas gera mais acidentes de trânsito e agrava a poluição. A partir disso, observa-se uma ruptura do “Contrato Social”, definido pelo filósofo Jean Jacques Rosseau, em que a esfera pública deve garantir o bem estar individual e coletivo.
Nesse contexto, fica evidente a necessidade de mudanças. A lei da mobilidade urbana já existe, mas as soluções devem abranger uma reengenharia de todo o sistema por parte dos gestores públicos. Diante disso, a cobrança de pedágios urbanos poderia desestimular o uso de veículos particulares, a arrecadação a partir dessa inciativa deverá retornar à população em meios de locomoção mais cômodos, baratos e eficientes, como trens e monotrilhos. Dessa forma, seria possível vencer o desafio da mobilidade urbana deixando que a música de Raul Seixas fique apenas no sonho