A mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 27/08/2020

A partir do processo desenvolvimentista, iniciado pelo governo de JK, o Brasil privilegiou o modal rodoviário em detrimentos dos outros. Tal escolha, ao longo dos anos, em virtude da falta de planejamento e infraestrutura, revelou-se equivocada e acarretou diversos problemas na mobilidade urbana.

Mormente, vale ressaltar que, a ineficiência do Estado em prover infraestrutura adequada é ponto fundamental na problemática da mobilidade urbana. Embora seja o mais comum, o modal rodoviário é ineficiente no transporte de grandes massas populacionais. Nessa perspectiva, é fundamental que o Poder Público consiga prover infraestrutura para que outros modais possam ser escolhidos. No entanto, as medidas necessárias para que isso ocorra são caras e as resoluções acabam, por fim, se concentrando em regiões de maior poder aquisitivo. Nesse cenário, o filósofo Henri Lefebvre, na obra “Direito à Cidade”, discute como grande parte da população é marginalizada devido ao fato das cidades estarem moldadas de acordo com o interesse do capital.

Ademais, associado à falta de infraestrutura, há, como consequência do uso excessivo de automóveis, um aumento da poluição e, consequentemente, riscos à saúde. Segundo o médico e pesquisador, Paulo Saldiva, a poluição nos grandes centros é um importante fator de risco para as doenças pulmonares e, até mesmo, câncer. Desse modo, a crise de mobilidade não afeta somente o deslocamento das pessoas, mas, também, a saúde.

Infere-se, portanto, que há entraves que necessitam ser resolvidos. Assim, o Estado, por meio de parcerias com o setor privado, deve criar e melhorar a infraestrutura urbana, a fim de estimular o uso de modais coletivos não rodoviários. Essas melhorias na infraestrutura devem ocorrer mediante isenções fiscais para as empresas. Além disso, o Ministério da Saúde, mediante parcerias com os meios de comunicação, devem promover campanhas, a fito de informar a população sobre os riscos do uso excessivo de carros.