A mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 29/08/2020
Admirada pelo mundo inteiro, Brasília é uma maravilha arquitetônica. Projetada por Oscar Niemeyer, a capital do Brasil foi idealizada como a cidade do futuro, para um país que exuberava potencial, e pretendia se tornar o pináculo da modernidade. Porém, Brasília também simboliza a dificuldade de se locomover no Brasil Urbano.
A capital, apesar de magnífica, tem como o meio de transporte esperado, o carro -inclusive devido à política de industrialização de J.K.- e mais nenhum outro. Consequentemente, meios de transporte público, como o metrô, enfrentam uma debilitante falta de estrutura. Em decorrência disso, a mobilidade em Brasília se torna uma questão socioeconômica, exacerbando a desigualdade social, tão presente nos ambientes urbanos.
Nota-se problema similar na maior metrópole do país, São Paulo. Enquanto Saturnino de Brito pensava em se aproveitar dos rios, para transporte, eletricidade e até mesmo lazer; Prestes Maia concebia uma São Paulo onde o deslocamento de carros seria priorizado, e, por fim, seu plano de avenidas venceu. Dando lugar ao automóvel e àqueles que poderiam ter um. E estas cidades definiram o formato do ambiente urbano brasileiro. Isto porque rodovias foram privilegiadas devido ao lobby intenso das indústrias petrolífera e automotiva.
Todavia, esta é só metade da história. Ferrovias estatais -como as que pertenciam à Vale- foram privatizadas ou sucateadas, trólebus estão muitas vezes ocupados além de sua capacidade, ônibus não pontuais, estações de trens como foco de crimes. O abandono e ineficiência do sistema de transporte público são um grande empecilho para a mobilidade em cidades brasileiras. Em Singapura entretanto, a maior parte da população utiliza trens para sua locomoção. A pontualidade e preço acessível fazem com que esta seja um alternativa desejável, vale notar que lá existe uma grande tributação sobre carros, e a obtenção de um exige uma burocracia maior do que em outros países. Mesmo assim a população está satisfeita e facilmente se desloca pelas cidades. Frente ao caos no trânsito de carros, similar àquele visto em São Paulo, Hong Kong subsidia um sistema de trens excepcionalmente eficazes e econômicos, que também é muito apreciado pela população.
Apesar de todo investimento, é inconcebível ainda ter o carro como enfoque. Portanto, a fim de melhorar a mobilidade urbana no Brasil, o Ministério do Desenvolvimento Regional poderia redirecionar verbas, para que se desenvolva a rede de transporte público no país. O controle e regulamentação de novas obras, por parte das prefeituras, é igualmente essencial. Revertendo, dessa forma, o atual quadro de abandono.