A mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 01/09/2020
O plano desenvolvimentista do ex-presidente brasileiro Juscelino Kubitschek caracterizou-se por priorizar a indústria automobilística e a construção de rodovias. Com isso, explodiu-se a quantidade de veículos particulares no país, principalmente em grandes centros urbanos. Nesse sentido, surgem desafios à mobilidade urbana, que persistem intrínsecos à realidade brasileira, seja pela falta de planejamento das cidades, seja pela má qualidade do transporte coletivo.
Convém ressaltar, a princípio, que a escassez de estrutura para transportes alternativos é um fator determinante para a persistência do problema. A filósofa alemã Hannah Arendt defende que o espaço público seja preservado para que se assegurem as condições da prática da liberdade e da manutenção da cidadania. Ou seja, sem uma infraestrutura pública, o cidadão é prejudicado. Esse aspecto está presente de maneira decisiva no que tange à mobilidade urbana, uma vez que há falta de investimento governamental em construírem-se estruturas para transportes alternativos, por exemplo, ciclovias, o que acaba por gerar uma demanda maior pela utilização de transportes particulares que contribuem com a liberação de gases do efeito estufa e a poluição sonora, danando ao meio ambiente.
Em segunda análise, é necessário verificar a qualidade dos transportes coletivos do Brasil. Em geral, os cidadãos dependentes desses se deparam diariamente com veículos em condições deploráveis, frequentemente lotados, com passagens caras e grande tempo de espera nos pontos de ônibus e metrô. Dessa forma, sem poder contar com um transporte público de qualidade, os indivíduos tendem a optar pela aquisição de seus próprios veículos, tendo como consequências geradas não somente as ambientais, mas também sociais e econômicas. São essas: o estresse ao se esperar horas em congestionamentos para se deslocar curtas distâncias, doenças cardiorrespiratórias decorrentes da poluição atmosférica e a menor produtividade dos trabalhadores, que acabam cansados e atrasados.
Tendo em vista os aspectos supracitados, é mister a promoção de medidas que atenuem o empecilho. Faz-se necessário, portanto, que os governos estaduais, em parceria com as prefeituras, passem a focalizar o investimento em infraestrutura para questões urgentes, como a mobilidade urbana. Havendo este maior direcionamento de verba, a infraestrutura do espaço público pode ser melhorada e, consequentemente, a qualidade de vida dos cidadãos, que passarão a usufruir mais intensamente do espaço público para realizar suas atividades cotidianas, sem colocar sua saúde em risco no processo. Além disso, cabe ao Ministério da Economia, juntamente com o Ministério da Infraestrutura, destinarem subsídios para o investimento em transportes públicos de qualidade. Dessa forma, a máxima de Hannah Arendt seria concretizada na realidade brasileira.