A mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 04/09/2020
O início da industrialização brasileira no século XX foi marcado pela necessidade de uma maior integração territorial. Para a resolução de tal problema, o então presidente Juscelino Kubitschek adotou o rodoviarismo, política muito bem explicada pelo lema de Washington Luís: “Governar é abrir estradas”. Entretanto, enxerga-se na atualidade as consequências desse modelo que suprimiu a existência de um transporte multimodal, corroborando a crescente precariedade da mobilidade urbana. Nesse sentido, cabe-se discutir como a desvalorização do transporte público sobrecarrega os modais brasileiros e contribui para a falência da locomobilidade nas grandes cidades do país.
Em primeira análise, a crise do sistema público de transporte se dá principalmente pela falta de investimentos na área. Isso porque, de um lado tem-se o crescimento desordenado das cidades com o aumento exponencial de habitantes. Do outro, a sociedade de consumo advinda do “American way of life”, que enxerga o carro como forma de ascensão social e contribui para a cultura de valorização extrema do rodoviarismo. Assim, as grandes zonas urbanas são marcadas pela superlotação e pela estrutura de cidade voltada para a necessidade dos carros, negligenciando o pedestre e o transporte coletivo. Há, ainda, a ausência de um Plano Diretório efetivo capaz de escoar o transporte de mercadorias para outros modais diferentes do automobilístico, o que sobrecarrega as ruas e estradas.
Por conseguinte, a lotação das vias urbanas afeta diariamente a vida dos citadinos que têm sua mobilidade reduzida e, portanto, seus direitos sociais, garantidos pela Constituição Federal, violados. Há, então, a redução da qualidade de vida da população que desenvolve altos índices de estresse e carece de tempo de lazer, como mostrado no documentário “130km- Vida ao extremo”. Outra questão discutida pelo curta é o crescimento de “zonas dormitórias”, ou seja, regiões periféricas com escasso número de empregos onde vive a população mais carente devido ao processo de gentrificação. Assim, tais indivíduos são obrigados a enfrentar congestionamentos caóticos para conseguir seu sustento.
Dessa forma, entende-se a crise da mobilidade urbana como uma consequência direta das políticas públicas e do individualismo. Portanto, cabe ao Ministério das Cidades em parceria com as Secretarias de Transporte e Infraestrutura, desenvolver planos de reestruturação das zonas urbanas baseado nas ideias do urbanista Enrique Peñalosa, mais especificamente, projetos de cidades voltadas aos pedestres e ao uso transporte público a partir da criação de ciclovias e corredores de ônibus, a fim de reduzir a dependência dos automóveis. Ademais, é função dos mesmos criar linhas de metrô que liguem as zonas periféricas às centrais, com o objetivo de melhorar a acessibilidade para pessoas como a costureira “Maria Edinete” que relata sua dramática rotina no documentário supracitado.