A mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 14/09/2020
Durante o governo de Juscelino Kubitschek, na década de 50, foram promovidas políticas de incentivo à indústria automobilística, de modo que o número de veículos individuais aumentou grandemente no Brasil. Devido a esse acontecimento, o trânsito, os engarrafamentos e os acidentes que dificultam a mobilidade urbana se fazem comuns no cotidiano brasileiro, sendo ainda mais intensificados pelo pouco investimento estatal em transporte público e pela ausência de pensamento coletivo da população. Dessa forma, medidas devem ser tomadas para alterar esse quadro.
Em primeiro plano, é importante ressaltar a falta de incentivo do Estado no setor como um dos agravantes da situação. Nesse sentido, de acordo com o livro “Cidadão de Papel”, de Gilberto Dimenstein, o direito do brasileiro se limita apenas ao plano teórico, uma vez que não é de fato garantido pelo Poder Público. De maneira análoga a esse pensamento, é notório que o direito instituído pela Constituição de 1988 de mobilidade e acessibilidade não é assegurado à população, pois, segundo dados da Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbano, o investimento no setor de transporte coletivo é apenas 0,01% do orçamento Federal. Consequentemente, efeitos como a dificuldade de deslocamento dentro das cidades e a desistência de se realizar algumas atividades pelas objeções de se chegar até o local se tornam comuns. Por essa razão, nota-se um falha estatal no combate a essa problemática.
Em segundo plano, merece ser discutida a ausência de um pensamento coletivo por parte dos cidadãos como outro empecilho para resolver a questão. Nesse viés, percebe-se que esse individualismo provém de uma lógica do sistema capitalista em que a sociedade está inserida e de uma “vontade de poder” dos indivíduos, como defendido pelo filósofo Nietzsche. Assim, a acumulação de bens, a manutenção do status social de se ter um carro próprio e o pensamento individualista levam ao aumento do trânsito pela quantidade de veículos que transportam poucas pessoas circulando pelas ruas. Desse modo, alterações se fazem necessárias nesse cenário.
Urge, portanto, que Estado e Sociedade se mobilizem para alterar esse quadro. Sendo assim, é de responsabilidade do Ministério da Infraestrutura estabelecer parcerias público-privadas com empresas especializadas em planejamento urbano, por meio de contratos que visem aumentar as rotas urbanas e a frota de transportes coletivos circulantes, a fim de promover melhorias no sistema de locomoção público. Paralelamente, campanhas devem ser feitas pela mídia estatal com o objetivo de instruir a população sobre a importância de veículos compartilhados para dinamizar o trânsito. Dessa maneira, os problemas de mobilidade nas cidades do Brasil poderão ser solucionados.