A mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 26/09/2020

Em 1988, representantes do povo - reunidos em Assembleia Constituintes - instituíram um Estado Democrático, a fim de assegurar o direito ao transporte como valor supremo de uma sociedade fraterna. Entretanto, os obstáculos da mobilidade urbana no Brasil revela que nem todos os brasileiros experimentam esse direito na prática. Com efeito, há de se repensar as atuais estratégias de deslocamento urbana, mas também a supervalorização do carro.

Em primeiro plano, a preferência por estratégias de mobilidade baseada em carros se mostra incapaz de suprir a demanda. A esse respeito, em meados do século XX, Juscelino Kubitschek - presidente do Brasil entre 1956 a 1961 - criou a política de Desenvolvimento Nacional, cujo objetivo era modernizar a sociedade brasileira por meio de investimentos em rodovias e em carros, sem os quais seria impossível o deslocamento nas cidades. Ocorre que o modelo econômico excludente proposto por JK promoveu - e ainda promove - a desigualdade social, na medida em que se mostra ineficiente e restrita à maioria detentora do poder econômico. Logo, é incoerente que, mesmo no Estado Democrático de Direito, o poder público persista em não oferecer mobilidade inclusiva.

De outra parte, o culto ao carro se mostra um desafio à gestão da mobilidade no meio urbano. Nesse contexto, o filósofo Theodor Adorno desenvolveu o conceito de Indústria Cultura, segundo o qual a mídia veicula conteúdos de forma constante e persuasiva, a fim de orientar o comportamento da sociedade. Nesse viés, a preferência da população por carros é motivada pelo constante discurso midiático denunciado por Adorno e reafirma a ideologia imprópria e egoísta, que eleva os veículos automotores a objetos de prestígio . Assim, enquanto a supervalorização do carro for a regra, os cidadãos serão obrigados a conviver com um dos maiores desafios do meio urbano: o trânsito caótico.

Portanto, a mobilidade urbana brasileira apresenta obstáculos que impedem a sua eficiência. Para solucioná-los, os governadores dos estados, em parceria com as prefeituras, devem investir em ferrovias, por meio da construção e da ampliação dos transportes de massa, como trens e metrôs. a iniciativa estatal teria a finalidade de melhorar o deslocamento público, de modo a não só tornar a mobilidade democrática aos mais pobres, mas também desestimular a supervalorização do carro. Assim, a partir da criação de uma mobilidade urbana inclusiva, o Brasil será, de fato, uma sociedade livre, justa e solidária.