A mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 28/09/2020
A imobilidade urbana
“Carros em profusão, confusão”. Parafraseando o trecho da música “Passarinhos” do rapper brasileiro Emicida, nota-se a nítida caracterização da mobilidade urbana vigente nacionalmente. Com base nisso, é perceptível que a flexibilização de deslocamento nas cidades é tratada de forma precária em razão problemas como o individualismo e a ineficiente urbanização.
Mormente, ao averiguar o quadro aludido, depreende-se que o individualismo corrobora sua ampliação. Sob esse ângulo, durante o período do governo de Juscelino Kubitschek, houve um investimento exacerbado no setor automobilístico. Logo, percebe-se que a cultura do carro, em que os cidadãos relacionam o automóvel como simbologia de prestígio social e usam até mesmo para curtas distâncias, é uma herança histórica da política rodoviarista, tal qual afirma dados do Observatório Metrópole, em que de 2002 a 2012 houve um aumento de 12,2% da população e 138,6% de veículos. Por conseguinte, o número excessivo de automóveis nas rodovias fomenta a lentidão do trânsito, o qual impacta economicamente, uma vez que os trabalhadores acabam perdendo a produtividade em episódios de estresse.
Outrossim, é de suma relevância evidenciar a ineficiente urbanização como propulsor do empecilho, visto que, o crescimento acelerado das cidades resultou em um planejamento urbano ineficiente e instável. Nesse viés, conforme os arcadistas, o ambiente urbano corrompe o homem, por isso buscavam uma vida simples, próxima à natureza por intermédio do “Fugere Urbem”. Paralelamente, a concentração populacional nas grandes metrópoles equipara-se ao pensamento árcade ao passo de que inviabiliza a permanência do fluxo eficiente de indivíduos e bens de consumo nas estradas. Portanto, o congestionamento propicia o aumento da poluição sonora e do ar, que geram malefícios psicopatológicos, como a agitação respiratória.
Assim, diante do exposto, intervenções capazes de atenuar as contrariedades acerca da mobilidade urbana no Brasil são improrrogáveis. À vista disso, é dever do Governo Federal desestimular o uso do carro através do desenvolvimento nos modais de transporte, por exemplo, com investimentos em metrôs e faixas exclusivas para ônibus com uma estrutura confortável e que garanta a segurança pública com profissionais qualificados, a fim de mitigar tal problemática. Além disso, necessita também, por meio do Ministério da Infraestrutura, realizar um projeto urbano eficiente, mediante a criação de vias que integrem o cidadão ao seu local de trabalho, estudo e lazer, com efeito de reverter à profusão e confusão brasileiras, como em “Passarinhos”.