A mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 03/10/2020

Em meados de 1903, Henry Ford, empresário e engenheiro mecânico, fundava a Ford Motor Company, empresa responsável por produzir em larga escala o primeiro carro popular do mundo. Desse modo, o acontecimento marcou a história da humanidade, pois, além de mudar o modo de locomoção das pessoas, o método de produção implementado mudou o cenário capitalista, intensificando a sociedade de consumo. Portanto, mais de 1 século após esse marco, vê-se que Brasil sofre com altos indicies de carros em centros urbanos. Então, pode-se compreender que o método de produção utilizado por empresas de automóveis fomentam a aquisição exagerada, prejudicando a mobilidade urbana brasileira.

Em primeiro plano, ganha particular relevância o modo como a produção acelerada incentiva o consumo popular. Na musica 3ª do Plural, da banda Engenheiros do Hawaii, o eu lírico se questiona sobre a obsolescência programada dos produtos no capitalismo e  afirma que “eles” querem apenas vender. Assim, é cabível pensar que a produção em linha, criada por Ford, por proporcionar uma fabricação de produtos que supera a demanda populacional, é realizada de forma que esses tenham uma “validade” de uso, para que se volte a consumir. Contudo, no caso dos automóveis, além da fragilidade característica, a indústria automobilística apela para o marketing exacerbado, que transformou o carro em um símbolo de status e angariou o consumo desnecessário na população como um todo.

Em segundo plano, cabe ressaltar que a aquisição excessiva, gerada pelos monopólios automobilísticos influencia diretamente na mobilidade urbana. Uma matéria publicada pelo Dinheirama, site de educação financeira, demonstra que a sociedade brasileira é apaixonada por carros e, ainda mais, por status. Assim, pode-se entender que o uso de veículos no cotidiano do cidadão brasileiro não depende da necessidade útil, mas sim do desejo de se sentir realizado. Então, por mais que uma pessoa tenha a possibilidade de se locomover de ônibus, carona, ou bicicleta por exemplo, ela não o fará, pois culturalmente não está acostumada a tal. Consequentemente, o uso supérfluo de automóveis reflete em uma “superpopulação” desses em ruas de centros urbanos, o que prejudica a movimentação adequada em transito e atrapalha a mobilidade urbana.

Diante desse cenário, é necessária uma ação que, ciente da cultura de consumo automobilístico gerada pelas empresas no Brasil e seu impacto na mobilidade urbana, busque minimizar esse quadro. Cabe ao CONAR a tarefa de regulamentar as publicidades de empresas de automóveis e garantir, por meio de multas, que essas não estimulem o consumo inútil. Além disso, os canais de televisão devem incentivar, através de propagandas e matérias jornalísticas, a redução do uso em vão dos veículos. Portanto, espera-se que a falta de obtenção e uso fútil de carros no Brasil resulte e uma melhor mobilidade urbana.