A mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 13/10/2020

Na década de 1960, o presidente Juscelino Kubistcheck, motivado pelo capital internacional de indústrias automobilísticas, promoveu a adoção do Modelo Rodoviarista, ou seja, construção, ampliação e melhoria das rodovias. Apesar de a proposta ter gerado inúmeros benefícios ao país, essa fez com que as pessoas fossem dependentes deste modal, deixando de lado outras formas de transporte, o que desencadeou um caos na mobilidade urbana. Nesse contexto, problemas de infraestrutura e a persistência do transporte unimodal estão presentes no cotidiano de toda a população.

Diferentemente de Amsterdã, na Holanda, em que existem sistemas que priorizam a integração entre os modais, fazendo com que o trânsito seja mais fluido e prático, o Brasil carece de tal investimento. Segundo o sociólogo Charles Mills, a negligência estatal é a maior causa dos problemas na sociedade, resultando, nesse caso, em ruas estreitas, sinalização precária, falta de acessibilidade e investimento em transporte público e em opções alternativas. Além disso, o uso exacerbado de carros, muitas vezes sem necessidade, é uma cena comum em todo o território nacional, e, em diversos casos, ainda vem acompanhada de extrema imprudência dos motoristas, contribuindo para o caos.

O direito de ir e vir é um benefício assegurado pelo artigo 5º da Constituição Federal. Entretanto, a carência de investimento em outras opções de transporte traz à tona acidentes de trânsito, por vezes, fatais, engarrafamentos, e por sua vez, o estresse e perda de tempo, que influenciam a vida profissional e familiar, podendo gerar problemas futuros. Segundo o ecologista Hardin, a ganância individual condena os recursos coletivos à falência, fator potencializador do uso exacerbado de tais transportes. Nesse viés, o número incontável de impactos ambientais, como o uso de recursos naturais, poluição atmosférica, sonora e visual bem como o aumento de lixo em ferros-velhos, é inadmissível para um país desenvolvido.

É preciso que a população como um todo assuma, portanto, sua responsabilidade diante dos problemas gerados pela falta de mobilidade urbana no país. Sendo assim, cabe ao Governo, por intermédio do Ministério da Infraestrutura, investir em transporte público e alternativo, melhorando a qualidade dos ônibus e metrôs, além da instalação de bicicletários e da disponibilização de patinetes, incentivando novas maneiras de locomoção. Ademais, é dever do cidadão adotar políticas conscientes para o uso destes transportes, como caronas solidárias, e respeitar as políticas de “rodízios de placas”, por exemplo. A partir da parceria entre governo e sociedade, haverá melhor qualidade de vida para toda a população.