A mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 20/10/2020

A obra “O Cidadão de Papel”, de Gilberto Dimenstein, defende que os direitos do cidadão brasileiro se restringem tão somente à forma de lei, usufruindo de uma cidadania aparente. Nesse viés, é evidente que o direito constitucional de ir e vir dos brasileiros é prejudicado devido aos investimentos insuficientes do Estado nos transportes e infraestrutura urbana, o que gera diversas consequências à sociedade.

Em primeiro lugar, é importante analisar a atuação do governo. Platão, há dois milênios, idealizou a teoria da cidade justa em que, nela, tudo era perfeito. Entretanto, o Brasil vai contra a tese do filósofo grego quando analisamos a situação da mobilidade urbana. O transporte coletivo, como os ônibus e metrô, enfrentam a superlotação e o alto tempo de espera, o que gera desconforto aos usuários. Devido a isso, os indivíduos têm como meta a obtenção de veículos para que, assim, escapem do transporte coletivo precário, aumentando ainda mais a frota de carros nas ruas. Além disso, a estrutura urbana também é problemática. São comuns ruas e avenidas que não comportam a alta quantidade de veículos já que, após o grande êxodo rural da metade do século XX,  a infraestrutura urbana não acompanhou o crescimento da população. Isso leva a um trânsito caótico, com ruas estreitas, cruzamentos perigosos e acidentes.

Outrossim, convém salientar as consequências geradas por estes problemas. O aumento do número de veículos nas cidades leva a enormes engarrafamentos, prejudicando diversos setores da sociedade como, por exemplo, a economia. A chegada de trabalhadores às empresas é prejudicada e, além disso, atrasa-se a distribuição de produtos e encomendas. Ademais, o trânsito caótico das grandes cidades pode ser um problema de saúde pública, pois causa estresse aos cidadãos devido aos congestionamentos e também problemas respiratórios devido à emissão de  dióxido de carbono e outros puluentes pelos veículos.

Destarte, é mister que medidas sejam tomadas para melhorar o deslocamento dos cidadãos brasileiros nas cidades. O Estado, por meio das prefeituras e em conjunto com as secretarias de transportes, deve atuar na duplicação de rodovias para que, assim aumente o distanciamento entre veículos e a fluidez do trânsito. Ademais, ele deve investir no aumento de frota de ônibus e trens,  especialmente em horários de pico, diminuindo o tempo de espera e a superlotação. Com tais mudanças, o cidadão brasileiro poderia, finalmente, exercer plenamente seus direitos citados por Dimenstein.