A mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 21/10/2020
De acordo com a Constituição Federal de 1988, o direito de ir e vir é uma das garantias fundamentais do cidadão. Entretanto, esse direito não tem sido efetivado no Brasil, a mobilidade urbana continua sendo precária, principalmente, nos grandes centros. Desse modo, é perceptível que faltam ações governamentais para instituir melhoras na estrutura dos modais de transporte e na eficiência dos transportes públicos para alcançar a sustentabilidade. Diante disso, analisar o contexto atual é fundamental para que medidas apenas sintomáticas sejam evitadas.
Em primeira análise, é notório que são deficitárias as políticas públicas que invistam na estrutura da mobilidade urbana. Segundo Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem estar social de toda a população. Sob essa perspectiva, o governo deixa lacunas quando se trata de infraestrutura dos meios de transporte mais econômicos, como os ônibus coletivos. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), brasileiros gastam mais com transporte do que com a alimentação. Assim, gera o aumento de carros nas ruas, por ser mais rápido, confortável e mais rentável a longo prazo do que as passagens dos ônibus. Outrossim, há vários motivos para as pessoas não optarem a abandonar seus carros, como a falta de estrutura de ciclovias e calçadas, transportes sem adaptações para pessoas deficientes e pelo perigo no perímetro urbano.
Em segunda análise, outra causa para a configuração do problema é que os modais no Brasil ainda são pouco sustentáveis. De acordo com o Jornal da Globo, 75% das mercadorias no país tem seu escoamento pela malha rodoviária. Dessa maneira, modais de transporte, como caminhões e carros individuais, ainda são amplamente utilizados, e são negativos para o meio ambiente por serem movidos a combustíveis fósseis. Porém, pouco investimento nas opções de transporte que são funcionais, não abre espaço para ferrovias e hidrovias, que são alternativas para carregamento de cargas, visto que o país tem grande extensão territorial e vários canais fluviais. Nesse sentido, diversificar os meios de locomoção é essencial, e que visem a economia, a sustentabilidade e a praticidade no cotidiano.
Portanto, medidas devem ser tomadas para resolver o impasse. Para tanto, cabe ao Governo Federal investir mais na mobilidade urbana, por meio de verbas destinadas ao transporte público, ferroviário e hidroviário, para a formação de cidades mais sustentáveis e integradas, criando mais ciclovias, diminuindo a passagem do ônibus coletivo, melhorando as calçadas para os pedestres, a fim de melhorar a circulação de pessoas e cargas nas cidades e no território nacional, além de colaborar com a diminuição do número de caminhões nas rodovias. Feito isso, a problemática da mobilidade urbana irá atenuar-se e cumprirá os direitos que a Constituição Federal assegura.