A mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 11/08/2021
No final do século XX, o desenvolvimento da indústria somado ao êxodo rural ocasionaram um crescimento desordenado das cidades brasileiras. Todavia, esse avanço populacional não foi acompanhado pela evolução dos meios de transporte coletivo, o que, de maneira geral, ocasionou o acúmulo de veículos indivuduais e, por conseguinte, os problemas hodiernos de mobilidade urbana. Nesse viés, a ineficiência estatal e a ausência de mobilização corroboram com esse cenário, os quais acionam, por sua vez, a implementação de medidas para a mitigação da problemática.
Sob esse viés, cabe analisar, a princípio, que o sucateamento dos modais públicos devido a ausência de diligências administrativas eficientes incentiva o crescente número de automóveis privados, além de contribuir com prejuízos à saúde da população. De acordo com Jean-Jacques Rousseau, filósofo suíço, o Estado deve se responsabilizar por medidas que visem o bem-estar da coletividade. Contudo, a falta de segurança e a generalizada má qualidade de ônibus, metrôs e trens promove a alta concentração de congestionamentos, devido ao excessivo número de carros e, consequentemente, eleva os índices de poluição do ar e sonora, o que tem ocasionado maior recorrência doenças respiratórias e estresse mental nos indivíduos. Desse modo, essa ineficácia governamental rompe com a ideia proposta por Rousseau.
Outrossim, convém ressaltar que as barreiras para a construção de uma mobilidade urbana adequada não é de responsabilidade exclusiva do poder público. Mediante a perspectiva de Émile Durkheim, sociólogo francês, o fato social é uma maneira coletiva de agir e pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. A partir disso, infere-se que esse desafio atual envolve ações conjuntas e um trabalho de diálogo entre a população, o Estado e as empresas, uma vez que deliberações para melhorias nos modais populares devem ser associadas à redução no número de meios de locomoção particulares. Assim, essa ausência de uma aliança entre essas esferas sociais resulta não só em impactos econômicos, como a diminuição da produtividade dos trabalhadores devido ao cansaço proporcionado pela jornada no trânsito, mas também com a perpetuação desse quadro deletério.
Destarte, diante dos fatos, urgem meios para que os impactos gerados pelo processo de industrialização e urbanização brasileira sejam atenuados. Logo, compete ao Ministério de Transportes, mediante parceria com as Secretarias de Planejamento Urbano, promover um projeto de remodelação dos grandes centros urbanos, através do investimento monetário em transportes coletivos, com a manutenção mensal de veículos públicos e a construção de vias que possibilitem também o uso de meios alternativos. Dessa maneira, será possível a construção de uma movimentação harmônica.