A mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 26/08/2021

O pintor Pablo Picasso, na obra “Guernica”, apresenta uma flor no plano inferior da tela, simbolizando a ideia de esperança perante um cenário de destruição causado por um conflito bélico. É possível realizar uma analogia entre esse elemento simbólico e a falta de mobilidade urbana no Brasil, já que, diante deste entrave, adotar uma postura otimista pode favorecer o “florescimento” de soluções. Nessa perspectiva, é imprescindível analisar a aplicação das leis e o investimento financeiro que envolvem essa questão no país.

Antes de tudo, compreende-se que o Poder Público tem se mostrado negligente ao permitir essa não mobilidade. Isso porque existe uma falha no processo de aplicação das leis existentes, visto que falta assegurar o ordenamento jurídico que prevê o acesso universal aos meios de transportes públicos. Assim, o deslocamento, por exemplo, de deficientes físicos com cadeiras de rodas tem sido prejudicado e, por conseguinte, tem violado o seu direito de ir e vir. Dessa maneira, nota-se que o Estado não tem garantido o bem-estar de todos, o que evidencia o descumprimento dos preceitos republicanos estabelecidos na Constituição Federal de 1988.

Ademais, pontua-se que aceitar essa não mobilidade é banalizar o mal. Porém, parte da sociedade tem apresentado certa apatia diante da ausência de investimento financeiro estatal, posto que faltam verbas para aprimorar os modais de transportes, o que compromete o uso de outros veículos, como exemplo, os metrôs e gera congestionamento na matriz rodoviária. Recorrendo aos estudos da filósofa Hannah Arendt para explanar essa situação, constata-se que, devido a um processo de massificação cultural, as pessoas têm perdido a capacidade de discernir o certo do errado, ficando, então, inertes frente aos entraves existentes.

Ressalta-se, portanto, que a falta de mobilidade urbana deve ser superada. Logo, é necessário exigir do Estado, mediante debates comunitários, a aplicação da legislação vigente, priorizando promover a acessibilidade dos transportes públicos a todos, incluindo deficientes, a fim de que o seu direito de ir e vir seja garantido. Além disso, é fundamental sensibilizar a população, via campanhas midiáticas feitas por ONGs, sobre a importância de não se adotar uma postura resignada perante as dificudades de locomoção, potencializando, assim, a mobilização coletiva em prol de verbas, a partir do ministério competente, para aperfeiçoar a diversidade dos meios locomotivos, com o objetivo de não superlotar o modal  rodoviário e estimular o uso de outros, como o ferroviário, facilitando o descolamento social. Desse modo, seria possível solucionar essa problemática e não retringir a esperança à obra de Picasso.