A mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 20/09/2021

A partir dos anos 1950, no Brasil, o presidente Jucelino Kubitcheck, em seu plano de governo “50 anos em 5”, viabilizou a instalação de diversas indústrias no território nacional, com ênfase na automobilística, dando início à valorização dos meios de transportes individuais pelos brasileiros. Na contemporaneidade, esse panorama perdura, comprometendo a mobilidade urbana devido à falta de  investimento nos transportes coletivos e à supervalorização dos modais individuais. Consequentemente, os transtornos no trânsito se agravam, gerando grandes impactos ambientais e sociais, que precisam ser combatidos.

Primeiramente, é válido ressaltar que a carência de investimentos na melhoria dos transportes públicos agrava a problemática, uma vez que esses modais auxiliam na redução do tráfego por abrigarem um maior número de passageiros em um menor espaço. Nesse sentido, percebe-se que essa carência representa uma negligência dos setores governamentais, configurando-se como o fenômeno “Atitude Blasé”, caracterizado pelo sociólogo Talcott Parsons como uma ação de indiferença  do Estado com seus cidadãos. Portanto, enquanto os setores governamentais não se comprometerem a melhorar ônibus e metrôs, a população será obrigada a se locomover em modais superlotados, com insegurança, precariedade e atrasos, dificultando a mobilidade urbana.

Há necessidade de ressaltar, também, que o setor midiático cencede ao automóvel próprio um símbolo de “status”, supervalorizando-o. Segundo o filósofo Karl Marx, essa óptica é um " Fetichismo de Mercadoria", uma vez que um simples produto torna-se um objeto de adoração. Dessa forma, o brasileiro, alienado, compra ou financia o carro individual, a fim de, além de utilizar como meio de locomoção, utiliza para mostrar que possui o veículo, fazendo com que o excesso de automóveis cause diversas consequências, como congestionamento, poluição sonora e agravamento do efeito estufa.

Tendo isso em vista, percebe-se a importância da adoção de medidas que solucionem a problemática. Assim, para reverter a atual conjuntura, urge que o Governo, como instância máxima de administração executiva, invista na manutenção dos veículos de utilização pública, bem como na malha rodoviária brasileira, por meio da melhoria de estradas, da compra de novos ônibus, da instalação de novos metrôs e melhoria na infraestrutura dos já existentes, a fim de aprimorar a mobilidade urbana, reduzir o estresse enfrentado no trânsito e os impactos ambientais.