A mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 11/10/2021

Com o surgimento dos primeiros focos industriais no Brasil, o progresso da urbanização tornou-se demasiadamente acelerado, fato que modernizou o país em um curto período de tempo e o colocou entre as grandes economias mundiais. Entretanto, o preço do avanço urbano desordenado é pago, entre outros fatores, pela precária mobilidade na locomoção de veículos pelas ruas das cidades brasileiras, a qual é agravada pela falta de investimentos estatais no melhoramento do tráfego e a cultura de fomento à aquisição automobilística verificada na sociedade.

Em primeira análise, é indiscutível que a displicência governamental seja uma das causas do problema em questão. Tal fato contraria o pensamento do filósofo Thomas Hobbes, segundo o qual a função primordial do Estado é garantir os direitos fundamentais para cada cidadão, como a circulação segura e prática da população nas vias nacionais. Nesse sentido, ruas sem asfaltamento ou esburacadas, a ausência de uma boa sinalização e a má articulação das rodovias para facilitar a passagem de veículos refletem o fraco planejamento das autoridades locais e perpetua o trânsito caótico verificado em locais como São Paulo e Rio de Janeiro.

Outrossim, evidencia-se a construção histórica do país influenciando na qualidade da mobilidade urbana atual. Isso se associa à política desenvolvimentista formulada no mandato presidencial de Juscelino Kubitschek, o qual foi o responsável pela centralidade da malha rodoviária e, consequentemente, da indústria de automóveis no território brasileiro, em detrimento de outros meios de transporte. Nesse viés, o inchaço urbano agravado pela relativa facilidade na compra de um automóvel, além de gerar uma maior poluição, prejudica a fluidez da circulação nas metrópoles e nas capitais, situação que corrobora o estresse rotineiro ocasionado pela dificuldade de deslocamento interno.

Entende-se, portanto, a necessidade de mudanças substanciais no quadro em questão. A fim de atenuar a problemática, o Governo Federal deve instaurar investimentos direcionados à melhoria da mobilidade nas cidades brasileiras, por meio de reformas nas vias de grande movimentação, pela manutenção da qualidade do asfalto e pela adequação dos semáforos e das placas de sinalização, bem como da construção de elevados e de túneis os quais promovam uma melhor distribuição do fluxo veicular, para que as viagens sejam mais tranquilas e rápidas. Além disso, a diminuição de impostos sobre transportes ecologicamente sustentáveis, como as bicicletas, e uma melhor estruturação de veículos coletivos, como os ônibus, são práticas as quais asseguram a qualidade da mobilidade no país.