A mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 11/11/2021

Na produção televisiva “Malhação: viva a diferença”, a personagem Hellen, a qual ocupa uma posição pouco privilegiada economicamente, leva horas para chegar na escola em que conseguiu bolsa de estudos. Desse modo, sendo a arte uma mera representação da realidade, evidencia-se a confluência entre a obra fictícia e o plano real, haja vista a presença da crise da mobilidade urbana como um dos principais desafios da contemporaneidade. Assim, faz-se necessária a reflexão acerca da negligência estatal e bases materialistas como determinantes de tal problemática.

Primeiramente, faz-se imprescindível compreender a ineficiência governamental como principal agente influenciador do revés. Nesse sentido, faz-se lícito referenciar o viés aristotélico acerca da política. Segundo Aristóteles, a função da política é a integração social. Sob essa perspectiva, evidencia-se a subversão do Estado que, ao apresentar uma postura ineficaz na garantia da mobilidade urbana - fato refletido na presença de barreiras limitadoras para o livre deslocamento urbano -, corrompe o sentido da política preconizado por Aristóteles. Dessa forma, o Estado se converte em uma ferramenta de manutenção do revés.

Em segundo plano, cabe discorrer acerca da atuação das bases materialistas na construção do cenário revelado. Nesse contexto, é pertinente mencionar a visão marxista acerca disso. De acordo com Marx, sociólogo alemão, a estrutura, ou seja, modo de produção, atua, diretamente, na construção da superestrutura - sociedade e consciência social. Justifica-se, portanto, que o sistema capitalista, ao priorizar o lucro em detrimento de todo o resto, adequa a organização do espaço urbano em conformidade com as demandas de produção e reprodução do capital, prometendo, assim, o processo de exclusão das classes menos abastadas das áreas centrais - com disponibilidade de recursos -, de modo que os indivíduos pertencentes de tais classes sejam postos à margem da sociedade. Nesse viés, o capiralismo representa um instrumento de perpetuação do cenário, fato que afeta, principalmente, a camada proletária.

Infere-se, portanto, que é substancial a reversão do quadro vigente. Para isso, o Governo Federal - órgão de máxima autoridade em âmbito nacional - deve, por meio da elaboração de medidas que visem uma conexão eficaz do espaço urbano, atuar em um processo de reestruturação urbana, a fim de garantir a acessibilidade coletiva. De maneira análoga, o Ministério do Transporte, por intermédio da readequação das vias de transporte em acordo com as necessidades gerais, promover o livre deslocamento entre as áreas da cidade, visando desestruturar a crise da mobilidade urbana. Por fim, com a tomada de tais medidas, a problemática será dissolvida.