A mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 11/11/2021

Durante a década de 1950, o governo de Juscelino Kubitschek adotou diversas políticas desenvolvimentistas que intensificaram o processo de industrialização nacional. Isso trouxe inúmeras consequências como a rápida urbanização que promoveu o crescimento de cidades desordenadas, ou seja, municípios sem um planejamento adequado. No Brasil atual, a mobilidade urbana ainda é um desafio pois há uma inadequação estrutural que impossibilita o uso de transportes compartilhados e ecológicos, impactando, desse modo, na saúde da população. Diante desse quadro, é necessário que ações sejam tomadas pelo Ministério da Infraestrutura, com o fito de solucionar o problema.

Nessa conjuntura, é necessário destacar como o tecido urbano limita a adoção de modais de transportes sustentáveis, como por exemplo, as bicicletas, os patinetes e os ônibus coletivos, além de desencorajar o deslocamento a pé. De acordo com o livro “Cidade para pessoas”, escrito pelo arquiteto Jan Gehl, o principal fator para estabelecer um fluxo adequado nas zonas urbanas é a adoção da escala humana. Entretanto, a proporção adotada pelas regiões metropolitanas é oposta. Nelas há como parâmetro os automóveis individuais que ocupam a maior parte das vias públicas, excluindo, na maioria das vezes, as ciclovias, os corredores de ônibus e diminuindo o espaço das calçadas dos transeuntes. Dessa forma, fica evidente que as políticas atuais adotadas pelas prefeituras dão preferência aos carros - semelhante à postura adotada no governo de Juscelino Kubitschek - em detrimento do amplo uso dos demais sistemas de baixo impacto ambiental.

Por conseguinte, o uso excessivo de veículos individuais acarreta em graves problemas ambientais que atingem a saúde do povo. Segundo um estudo promovido pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente mais de 70% dos gases efeito estufa (prejudiciais ao ser humano e ao planeta) são emitidos por automóveis. Logo, aliado à esse quadro, a alta concentração de toxinas na atmosfera debilita o organismo provocando sérias doenças, como asma, rinite, pneumonia, e, em casos mais severos, o desenvolvimento do câncer de pulmão.

Assim, a partir dessas considerações, é necessário que medidas sejam postas em prática para melhorar a mobilidade urbana nacional. Portanto, a fim de ampliar o uso de transportes coletivos, o Ministério da Infraestrutura - órgão responsável pelas políticas nacionais de trânsito -, juntamente com as prefeituras, deve promover uma reestruturação das vias urbanas, como a ampliação de ciclovias e faixas de corredores de ônibus, por meio da alteração dos Planos Diretores Municipais. Sendo assim, o país poderá desfrutar de uma dimensão cada vez mais humanizada, como fora preconizado pelo arquiteto e urbanista Jan Gehl.