A mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 18/03/2022
Karl Marx atesta em sua obra “O Capital” que em uma sociedade capitalista o acúmulo de bens é priorizado sobre o bem-estar coletivo. Essa tese é comprovada com uma breve análise do Brasil contemporâneo, que sofre com a falta de mobilidade urbana. Esse imbróglio está enraizado no descaso governamental, em conjunto com a infraestrutura deficiente do transporte público. Diante disso, é fundamental a tomada de ações, a fim de mitigar esse óbice.
É preciso postular, em primeiro lugar, que a imperícia estatal corrobora o agravamento dessa conjuntura. A Carta Magna de 1988 instituiu, em seu Artigo 6º, o direito social ao transporte. Contuo, passados mais de três decênios desde a sua promulgação, nota-se que a Constituição é pouco efetiva, uma vez que o trânsito em espaços urbanos é caótico. Dessarte, fica evidente que o modo de atuação dos governantes dificulta que essa diretriz seja posta em prática.
Deve-se destacar, ademais, que a baixa qualidade da frota de veículos públicos também contribui para a piora da situação. Um relatório do Observatório das Metrópoles concluiu que o total de automóveis e motocicletas nas principais capitais tupiniquins dobrou em uma década. Com efeito, esse dado comprova a ineficácia do transporte coletivo, que tende a ser negligenciado pela população. Desse modo, nota-se que são necessárias alterações nesse pensamento popular.
É mister, portanto, que providências sejam tomadas, com o fito de abrandar a problemática da difícil locomobilidade em grandes cidades. Inicialmente, cabe à sociedade civil a cobrança de atitudes dos representantes legalmente eleitos, Tal ação pode ser efetuada por meio da promoção de passeatas e também de mobilizações em redes sociais, a fim de exigir a mudança da situação das ruas para os responsáveis legais. Outrossim, é dever do Poder Executivo de cada município a correção do padrão qualitativo dos meios de transporte compartilhados. Isso é viável pela realização de parceiras público-privadas com as empresas encarregadas dos veículos de locomoção pública, na finalidade de garantir a valorização das opções alternativas de transporte. Feito isso, o pensamento do sociólogo prussiano não encontrará mais respaldo na sociedade brasileira.