A mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 02/09/2022

O presidente brasileiro Washington Luís, em 1928, afirmou: “governar é abrir estradas”. Tal pensamento era fruto de um ideal de progresso baseado na ampliação do número de automovéis nos centros urbanos. Essa conjuntura errônea subsidiou o governo de Juscelino Kusbichek e consolidou a cultura do carrocentrismo no país, que, infelizmente, ainda persiste e resulta em uma ampliação do número de carros e uma maior segregação socioespacial.

A escolha deliberada pelo automovel como meio de transporte principal dos brasileiros deve-se ao incentivo dado, no início do séc. XX, à industria automobilistica. Esse quadro pouco alterou-se, pois após a decáda de 2000, o Governo Federal adotou a política de isenção do imposto de bens industrializados que benefeciou a compra de carro. Atualmente, a frota de veículos registrados no país é cerca de 60 milhões, segundo o IBGE. Assim, o alto número de automovéis prejudica diretamente o meio ambiente e a saúde humana, pois isso resulta em poluição ambiental, por meio de ilhas de calor e inversão térmica e também em problemas respiratórios devido ao ar contaminado.

A super valorizarização do carro na sociedade brasileira resulta em uma segregação socioespacial devido, principalmente, a limitação de modais disponíveis à população. Desse modo, os governos ampliam benefícios às pessoas para conseguirem comprar automovéis e tratam o transporte público como um gasto.

Portanto, observa-se que a problemática da mobilidade urbana deve-se a opção pelo carro frente aos outros modais públicos. Para mitigar essa adversidade o Ministério da Cidade devem intensificar a integração de modais, além de investimento significativo na ampliação do transporte público. A primeira medida pode ser realizada por meio de um aplicativo que reuna os diferentes modais e cobre apenas uma passagem por viagem completa. Já a segunda ação seria financiada por meio de criação de impostos de circulação de carros em bairros centrais de grandes cidades. Tais medidas teriam o intuito de reduzir a demanda por veículos particulares, assim, seria possível finalizar a ideia histórica do carrocentrismo.