A mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 10/07/2022
Edvar Munch, pintor expressionista, na obra “O Grito”, retratou a angústia, o medo e dasesperança no semblante de uma personagem rodeada por uma atmosfera de profunda desolação. Para além do quadro, no Brasil, o sentimento de milhares de indivíduos assolados pela falta de mobilidade urbana é, em muitos casos, semelhante ao ilustrado pelo artista. Nesse panorama, a inexistência de um plano e assistência do Estado e a normalização por parte da população, favorecem a perpetuação e o agravamento da dificuldade de locomoção nos espaços urbanos.
Diante desse cenário, faz-se necessário mencionar o período do Brasil Colônia em que a falta de planejamento teve como consequência ruas e avenidas mal-estruturadas. É perceptível, então, que existe uma raiz histórica que ocasiona a falta de mobilidade nos espaços urbanos. Outrossim, é notório que o Estado, com a manutenção desse desvio estrutural que gera os engarrafamentos recorrentes que prejudicam o movimento transitório da maior parte dos brasileiros, perpetua uma das problemáticas do passado. Sob essa ótica, pode-se afirmar também que os transportes públicos de má qualidade e acessibilidade oferecidos pelo governo contribuem para o agravamento situacional uma vez que, do contrário, poderiam diminuir o volume de automóveis individuais no trânsito .
Além disso, é lícito referenciar o filósofo grego Platão que, em sua obra “A República”, narrou o intitulado “Mito da Caverna” no qual homens acorrentados em uma caverna viam somente sombras na parede acreditando que aquilo era a realidade. Dessa forma, cabe salientar que, em situação análoga à metáfora abordada, os brasileiros, ao normalizarem as condições ruins de mobilidade concluindo que não há medidas a serem tomadas para a reversão do quandro, vivem na escuridão, isto é, ignorância.
Infere-se, portanto, que a má planificação das avenidas tenha suas fundações desfeitas. Para tanto, o Ministério da Infraestrutura, com o suporte dos estados e dos municípios, dê início a um planejamento de reestruturação urbana por meio de largamento das vias. Ademais, o melhoramento da qualidade e o aumento do número de transportes públicos diminuirá o volume de carros a fim de facilitar o processo de movimentação. Quiçá, nessa via, o sofrimento retratado por Munch não será prolongado.