A mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 21/07/2022

Uma mobilidade urbana de excelência é a capacidade de deslocamento de um grupo de pessoas dentro de uma área da cidade com uma variedade de meios de transporte. Contudo, ao longo do século XX, o Brasil obteve um descontrolado crescimento urbano acompanhado de uma infraestrutura precária. Nesse contexto, atualmente o país sofre de uma crise no sistema de transporte, em virtude de uma ideologia que glorifica o automóvel e de um planejamento que priorizou rodovias. Esse problema pode ser minimizado com a adoção de políticas públicas que favoreçam o transporte público.

Em primeira análise, é notável um pensamento excludente e egoísta das classes sociais mais ricas e de setores políticos. Nesse sentido, segundo André Gorz, filósofo austro-francês, o carro foi criado para ser um bem de luxo e elevar o status social de quem o possui, o que diferencia o indivíduo dos demais. Além disso, oferece um mito de conforto particular e exclusivo em detrimento da mobilidade coletiva. Dentro desse pensamento, os sistemas de estruturas criados para os veículos impedem a diversificação de modelos de locomoção e fomenta o individualismo nas relações sociais dentro da urbe.

Somado a isso, houve em meados do século XX no Brasil, a criação de um sistema rodoviarista com o “Plano de Metas” do ex-presidente Juscelino Kubitschek. Nessa perspectiva, moradores de regiões periféricas mais pobres, que não possuem poder aquisitivo para ter um automóvel privado, e acresentando a isso a falta de ônibus, trens e ciclovias, são excluídos das áreas centrais, caracterizando uma gentrificação social. Dessa forma, a melhoria da qualidade de vida desses cidadãos fica inviabilizada.

Portanto, a fim de diminuir a utilização de carros nas metrópoles, e garantir conforto e segurança no deslocamento de residentes das regiões marginais, que são áreas com maior déficit de infraestrutura, as prefeituras municipais, em conjunto com empresas privadas e ONGs de mobilidade urbana, devem estimular a pluralidade dos tipos de transporte coletivo, por meio da criação de um plano municipal de mobilidade sustentável para as cidades. Assim, haverá um país menos dependente de automóveis particulares.