A mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 19/10/2022

Através de seu conto “A autoestrada do sul”, o escritor argentino Júlio Cortázar apresenta aos leitores um congestionamento em uma rodovia francesa, que acarreta em inúmeras situações adversas para os motoristas que ali estão. Longe da ficção, na sociedade brasileira contemporânea, verificam-se cotidianamente situações semelhantes à história, em decorrência de uma mobilidade urbana mal-estruturada. Portanto, torna-se imprescindível a análise dessa problemática, buscando suas causas, consequências e possíveis soluções.

Em primeiro lugar, é importante pontuar que o alto índice de automóveis particulares se dá por causa da comodidade de sua utilização, em conjunto com um incentivo por parte da indústria cultural para o consumo, o que resulta em um cenário prejudicial para a locomobilidade citadina. Além disso, os custos altos, a sensação de desconforto e a insegurança ao usar transportes coletivos, atuam como intensos agravantes desse quadro, que tende a se intensificar caso medidas não sejam tomadas.

Agindo de modo paralelo às ideias do “Manifesto Antropofágico” de Oswald de Andrade ao absorver aspectos benéficos da cultura estrangeira, o Estado brasileiro poderia atuar com uma maior incidência em pedágios. Conforme afirma o próprio BNDS, a adoção dessas medidas remediou os problemas de mobilidade urbana na cidade inglesa, incentivando o transporte coletivo e outros alternativos - como o uso de bicicletas - que sequer são agressores do meio ambiente.

Diante dos argumentos supracitados, medidas tornam-se necessárias para mitigar essa problemática. O Ministério da Infraestrutura deve agir em conjunto com o Ministério da Economia, diversificando os meios de transportes existentes com demandas pertinentes a cada cidade, construindo metrôs, trens e ciclovias eficientes. Além disso, os poderes Legislativo e Executivo também devem atuar simultaneamente, diminuindo o tráfego de carros particulares por meio de cobranças de taxas nas regiões mais movimentadas. O lucro gerado por essa ação há de ser direcionado para a melhora - e posterior manutenção - da infraestrutura citadina. Através dessas medidas, espera-se que os problemas referentes à mobilidade urbana sejam paulatinamente erradicados.