A mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 24/07/2025

Na canção “Principia” o cantor Emicida se pergunta o porquê de o Brasil ser tão amargo, se é a “casa da cana-de-açúcar”. Essa antítese é evidenciada, na realidade vigente, ao se observar a mobilidade urbana no Brasil. Nesse sentido, o desinteresse estatal e o silenciamento da questão sustentam esse quadro amargo.

Diante desse panorama, é necessário destacar que o desinteresse do poder público ocorre porque o governo não visualiza retorno financeiro, principalmente em investimentos para a população. Segundo o filósofo Nicolau Maquiavel, o maior objetivo dos governantes é a manutenção do próprio poder, não o bem-estar social. Por isso, o Estado é falho ao não disponibilizar estrutura suficiente no país para locomoção de meios de transportes sustentáveis e que garantam a população agilidade, saúde e segurança. É visível a falta de investimento para as ciclovias, a estação de carregamento para veículos elétricos e um sistema de transporte público eficiente, o que causa uma mobilidade urbana não eficiente.

Ademais, é importante salientar o silenciamento da problemática. De acordo com a Djamila Ribeiro -socióloga brasileira-, é necessário retirar um problema da invisibilidade para que ele seja resolvido. Com isso, partindo da visão da pensadora, é notório que há uma escassez de debates quanto a importância de incentivar o uso de transportes sustentáveis e a adoção de práticas ecológicas, o que ocasiona, em grande escala, uma mobilidade voltada para a danificação do meio ambiente, a piora da saúde humana e ao aumento da deficiência econômica.

Portanto, é imprescindível que essa conjuntura seja dissolvida. Para isso, o Governo Federal -órgão responsável pelo bem-estar social- deve, por meio de investimentos governamentais e em parceria com o setor midiático, veicular, em TV aberta a importância de uma mobilidade urbana de qualidade no Brasil. Tal medida, tem como objetivo tirar o Estado de sua postura omissa, bem como ampliar a discussão sobre o tema, a fim de que haja uma mobilização social para a construção de políticas públicas eficazes. Então, “a casa da cana-de-açúcar” deixará de ser amarga.