A mulher brasileira no mercado de trabalho

Enviada em 27/08/2019

Atenas,século XII a.c; lavar, tecer, cuidar da família e dos filhos, essas eram algumas das principais atividades importas a figura feminina durante a idade antiga. Mais de 500 anos depois, apesar da mulher ter ganhado mais espaço em diversos setores da sociedade a desigualdade de gênero ainda é uma forte realidade vigente no Brasil atual, sobretudo, no mercado de trabalho; seja pelo preconceito enraizado, seja pela imobilidade estatal frente a questão.

Em primeiro plano, é evidente que o preconceito é um dos principais impasses para a efetividade da emancipação feminina no mercado de trabalho, tendo em vista que, muitas vezes, com a existência da jornada dupla de trabalho - tarefas domésticas e emprego - e a possibilidade de gravidez, muitas empresas receiam em contratar mulheres devido a incerteza sobre sua produtividade e aos gastos “desnecessários” com licença maternidade e, consequentemente, com funcionários substitutos. Nesse sentido, pode-se perceber que para contornar a situação diversas mulheres optam por trabalhos informais ou em homeoffice; assim, segundo dados da guia Startups, 46% das mulheres estão empregadas em homeoffice.

Outrossim, além dos empecilhos causados pelo preconceito, a imobilidade estatal frente a questão se torna outra adversidade. Diante disso, é notório que quando empregadas as mulheres trabalham mais que os homens e recebem menos, mesmo que realizando a mesma tarefa, fato que mostra o tamanho dessa disparidade que perpetua na sociedade moderna. Analogamente, pode-se vincular a percepção da escritora Simone de Beauvoir: ‘‘É pelo trabalho que a mulher vem diminuindo a distância que a separava do homem, somente o trabalho poderá garantir-lhe uma independência concreta’’, assim para que tal distância seja eliminada faz-se necessário a dissolução das desigualdades entre homens e mulheres na sociedade e, principalmente, no ambiente de trabalho.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para dirimir o impasse. A priori, é fundamental que a partir da composição tripartite - governo, ministério do trabalho e entidades privadas - ocorra a criação de leis que promovam uma licença compartilhada entre homens e mulheres, assim como já se vê na Suécia, através de planejamento adequado e fiscalização do cumprimento da lei, para que as mulheres tenham maior credibilidade dentro das empresas. Além disso, é importante a promoção de salários mais igualitários de acordo com os atributos acadêmicos e profissionais de cada pessoa, para esse fim é essencial que as prefeituras municipais reserve parte de sua verba para a implementação de um número maior de creches, o que permitiria às mulheres mais dedicação à sua vida profissional. Só assim, os ideais de S. Beauvoir e a igualdade entre gêneros serão conquistados.