A mulher brasileira no mercado de trabalho
Enviada em 12/10/2019
Na obra “Cegueira Moral”, do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, é exposta a falta de sensibilidade da sociedade em meio as dores dos semelhantes, em conjunto a ausência de sentido da palavra comunidade, em um mundo cada vez mais individualista. Nesse contexto, ao se analisar a questão da baixa atuação da mulher no mercado de trabalho, percebe-se que a indiferença descrita por Bauman é extremamente presente nos problemas do século XXI. Esse cenário é fruto tanto da falta de políticas públicas eficientes, quanto do preconceito diário sofrido pela mulher. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim de que se retome o sentido de comunidade, ainda neste século.
Precipuamente, é fulcral pontuar que a pouca atuação da mulher no mercado de trabalho deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, na fiscalização dos procedimentos das empresas, ao oferecerem salários mais baixos ao público feminino. Em consequência, de acordo com o portal de notícias G1, as mulheres chegam a ganhar 50% a menos que os homens, o que, desmotiva a permanência das mulheres no mercado. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Ademais, é imperativo ressaltar o preconceito como promotor do problema. Conforme o sociólogo alemão Ralf Dahrendorf no livro “A lei e a Ordem”, a anomia é a condição social em que as normas reguladoras dos comportamentos das pessoas perdem sua validade. De forma análoga, nota-se que as leis que regulamentam os atos de igualdade de gênero encontram-se em estado de anomia, pelo fato de serem infringidas, constantemente, pelo machismo. Mediante esse pressuposto, o pensamento machista, inserido na sociedade, considera que o cargo alto da empresa não pode ser ocupado por uma mulher, em consequência, esse pensamento leva inferiorização da capacidade de comandar da mulher. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, e gera a perpetuação desse quadro deletério.
Portanto, é possível defender, que impasses econômicos e sociais constituem desafios a superar. Dessarte, que o Ministério Público proporcione a criação de leis, a serem aprovadas pelo Senado, que obriguem a criação, nos municípios, de partições que fiscalizem os direitos das mulheres, por meio de investigações de denúncias públicas, de modo a impedir desigualdade. Alem disso, também, elabore vídeos a serem passados nas redes sociais, sobre os efeitos negativos do machismo.-essas ações terão ajuda da sociedade nas denúncias e compartilhamento-. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo do machismo, e a coletividade contornará a Cegueira Moral de Bauman.