A mulher brasileira no mercado de trabalho
Enviada em 03/03/2020
Historicamente, o papel feminino na sociedade brasileira foi subjugado aos interesses masculinos e tal paradigma perdura até a contemporaneidade. Dessa maneira, é nítido que há um abismo intransponível entre os sexos no que tange à igualdade de tratamento e de conquistas no mercado de trabalho, devido aos fatores socioculturais de formação do país. Com efeito, percebe-se que a mulher enfrenta obstáculos para a equidade de direitos nas atividades laborais e, assim, torna-se mister expor e viabilizar medidas para mitigar essa problemática.
Em primeira análise, é imperativo postular que a estigmatização da imagem feminina, construída por fatores históricos e culturais, gera empecilhos para a emancipação desta no mercado de trabalho. Sob esse viés, tal fato se reflete em problemas diários enfrentados no ambiente corporativo, como preconceito , inferiorização e dificuldades em alcançar cargos superiores na hierarquia laboral. Isso comprova-se por um estudo realizado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) , que aponta que as mulheres estão no topo da taxa de desemprego, trabalham mais horas que os homens e somente 48% destas possuem trabalhos formais. Assim, mudanças estruturais fazem-se essenciais para aplacar essa conjuntura dotada de assimetrias.
Outrossim, é lícito mencionar que a disparidade salarial agrava esse quadro enfermo. Segundo pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres ganham menos do que os homens em todas as ocupações mercantis. Paralelamente, tal fenômeno pode ser analisado à luz do conceito metafórico denominado “corpo biológico” -proposto pelo sociólogo Émile Durkheim- que afirma que as estruturas sociais devem assemelhar-se a um organismo humano, em que todas as partes devem estar em igualdade de funcionamento para haver coesão. Logo, é substancial que esse cenário seja revertido a partir da efetividade institucional para com mecanismos legislativos e éticos.
Posto isto, urge que medidas sejam concretizadas para amenizar tal panorama hodierno. É fundamental, portanto, que o Governo Federal, por meio da atuação do Ministério do Trabalho, fiscalize com mais rigor empresas em que há desigualdade comissionária para cargos de mesma função entre os sexos, visando ao cumprimento da lei e à erradicação do desequilíbrio salarial. Ademais, cabe à mídia realizar campanhas informativas que conscientizem a sociedade quanto aos paradigmas diários enfrentados pela figura feminina no mercado de trabalho, a partir da divulgação de dados e pesquisas de organismos públicos relevantes, a fim de acabar com estigmas que obstaculizam a emancipação da mulher no âmbito laboral. Assim, atenuar-se-á gradativamente essa problemática no Brasil contemporâneo.