A mulher brasileira no mercado de trabalho
Enviada em 23/03/2020
A conquista efetiva do mercado de trabalho pelas mulheres continua sendo uma das principais pautas do movimento feminista brasileiro, uma vez que apesar do número de trabalhadores do gênero feminino ser numericamente equivalente ao do gênero masculino, as mulheres ainda carregam uma série de estigmas e são injustiçadas com grande frequência dentro de seus respectivos cargos. Tais condições são frutos do histórico de formação do Estado Brasileiro e de suas raízes patriarcalistas, que ainda hoje não foram desconstruídas e refletem-se a partir de concepções e práticas machistas que perduram na sociedade brasileira. Tal situação configura ainda um empecilho na efetivação da Lei Magna do país, que garante, em tese, a igualdade de homens e mulheres perante a lei.
De acordo com o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, a formação do Estado Brasileiro foi, dentre seus aspectos principais, uma formação patriarcal, posto que a esfera política se desenvolveu enquanto uma extensão da esfera doméstica, na qual o poder girava em torno do chefe de família. Desse modo, percebe-se claramente que o Brasil ainda padece com as influências da colonização ibérica, as quais evidenciam-se pela mentalidade machista que ainda vigora no país - e que é frequentemente naturalizada - ao passo que muitos banalizam a situação desigual na qual se insere a mulher nos cenários político, econômico e trabalhista do país.
Nesse sentido, pode-se afirmar que a mulher ainda não conquistou espaço efetivo dentro do cenário trabalhista, uma vez que ainda é possível encontrar mulheres que recebem menos que homens para realizar as mesmas funções. Além disso, também é corriqueiro que os cargos mais elevados nas hierarquias empresariais sejam destinados predominantemente aos homens, e que em casos de crise econômica as primeiras demissões decaiam sobre o público feminino. Tais acontecimentos também são heranças do patriarcalismo, que atribuiu à figura masculina a responsabilidade de manutenção do lar, e consequentemente, fortaleceu o imaginário coletivo de passividade da mulher perante ao homem.
Dessa maneira, tal situação configura um obstáculo para a efetivação da democracia no país, uma vez que esse tipo de regime tem por base a igualdade de direitos entre os seus cidadãos. Sendo assim, para impedir a postergação do contexto atual são necessárias profundas mudanças na estrutura da sociedade brasileira, de modo que haja uma ruptura com as raízes patriarcais que fundaram a nação. Para tal, é necessário que o Ministério da Educação (MEC) inclua as discussões acerca dos papéis de gênero dentro das Bases Nacionais Curriculares (BNCC), de modo que esse tipo de debate possa ser realizado, didaticamente, em todas as etapas da educação básica, visando romper com o machismo estrutural ainda persistente.