A mulher brasileira no mercado de trabalho
Enviada em 03/04/2020
Passando-se em 1890 no Canadá, num contexto em que independência e liberdade feminina não passavam de meros anseios, a série canadense “Anne With An E” destaca os diversos rótulos sofridos pelas mulheres, que perduram até hoje na sociedade. Analogamente, no Brasil, a situação se repete. Como consequência, esse grupo social enfrenta vários desafios, principalmente no mercado de trabalho, como por exemplo, a dificuldade do gênero em conseguir emprego, além da diferença salarial em relação aos homens. Nesse sentido, convém analisar as principais causas e consequências, bem como possíveis medidas para mitigar o problema.
Inicialmente, é importante analisar a persistência dos estereótipos em relação à mulher, tão enraizados na sociedade brasileira. Por muitas décadas, elas foram vistas como as pessoas responsáveis pelo lar e pelo cuidado com os filhos. Por isso, a sua inserção no mercado de trabalho foi e ainda é lenta. De acordo com dados divulgados em 2018 pelo IPAN, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, mulheres ocupavam cerca de 43% das vagas de emprego, além de apenas 19% dos cargos de liderança. É possível observar, portanto, o empasse relacionado a construção de uma carreira sólida pelo grupo em questão. Como consequência, ocorre o aumento do desemprego feminino, e a desigualdade de gênero no mercado de trabalho se perpetua.
Outrossim, as mulheres ainda enfrentam diferenças salariais em relação aos homens. Mesmo após décadas de emancipação feminina, o problema ainda está presente no mercado de trabalho, visivelmente negligenciado. Segundo dados disponibilizados pela OIT, Organização Internacional do Trabalho, as mulheres, mesmo ocupando os mesmos cargos que os colegas homens, ganham cerca de 30% a menos do salário. Isso mostra que, mesmo tendo uma jornada dupla, entre cuidar dos afazeres domésticos e trabalhar, o gênero feminino é colocado numa posição inferior, o que colabora para o pensamento machista de que cabe ao “sexo frágil” apenas as funções “do lar”.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater a desigualdade histórica entre homens e mulheres no mercado de trabalho. Para isso, cabe Ministério do Trabalho juntamente com os Sindicatos dos Trabalhadores, a criação e promoção de vagas de emprego no formato “home office”, modelo mais flexível em relação aos horários. Essa ação pode facilitar a atuação da mulher relacionada sua jornada dupla. Somando-se a isso, o mesmo órgão deve fiscalizar os salários, como também garantir o cumprimento da lei prevista na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que proíbe a diferença salarial por sexo. Com isso, será possível a diminuição da desigualdade de gênero, de modo a alcançar, possivelmente, uma discrepância mínima a longo prazo.