A mulher brasileira no mercado de trabalho

Enviada em 23/04/2020

Segundo a filósofa francesa Simone de Beauvoir, é por meio do trabalho que a mulher pode alcançar a sua independência e pode reduzir desigualdades sociais. Tal reflexão é verdadeira, no entanto, a sua aplicabilidade no mercado de trabalho brasileiro, em geral, é feita de forma lenta, em razão da manutenção de valores culturalmente e socieconomicamente estruturados nessa sociedade. Logo, torna-se necessário destacá-los não só com o objetivo de tornar a participação feminina no segmento laborativo mais impactante, mas também equiparada à masculina.

Em primeiro plano, o patriarcado histórico no Brasil reduziu, amplamente, o potencial das mulheres no mercado de trabalho nacional e favoreceu o predomínio dos homens nos principais segmentos de liderança e prestígio social. Isso é resultado do machismo estrutural, o qual exclui, deslegitima e dificulta a ascensão feminina na sociedade, ações contrárias aos ideias de liberdade defendidos por Simone de Beauvoir. Assim, essa parcela enfrenta empecilhos para alcançar os direitos sociais de isonomia elencados na Constituição Federal do Brasil, pois a representatividade politica nacional é, majoritariamente, masculina.

Ademais, embora a mulher brasilera possua ampla criatividade para o desenvolvimento de novas técnicas e conhecimentos, contudo, a maior parte dos postos de trabalhos ofertados no país, infelizmente, inutiliza essas habilidades. Como exemplo, tem-se a atividade doméstica, que, na maioria dos casos, possui baixa remuneração e torna a mulher refém do seu companheiro para complementar a renda familiar. A partir desse cenário, a figura feminina torna-se vulnerável e é, constantemente, vítima de violência psicológica. Dessa maneira, o sociedade brasileira necessita valorizar a importância desse grupo no mercado trabalhista, por meio de politicas públicas que valorizem as condições biológicas e comportamentais femininas e proporcione uma maior equidade social.

Portanto, a fim de garantir que as mulheres brasileiras sejam mais valorizadas no mercado de trabalho, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, por meio de políticas afirmativas, deve criar um programa nacional para o estimulo à contratação e à promoção de mão-de-obra feminina nos cargos de liderança e de alta performance. Essa medida deve ser realizada em parceira com associações de mulheres que relatem as principais dificuldades enfrentadas por elas na ascensão no segmento laborativo. Anualmente, relatórios devem ser produzidos para serem avaliados e debatidos por toda a sociedade em fóruns nacionais, com a finalidade de averiguar os resultados das medidas implementadas e definir possíveis mudanças.