A mulher brasileira no mercado de trabalho

Enviada em 18/04/2020

Na canção “NASA” da norte-americana Ariana Grande, ela diz que costumava orbitar ao redor do homem, mas agora apenas a gravidade a puxa. Essa é uma comparação válida ao empoderamento feminino, na questão da independência econômica e social. No Brasil não é diferente, e diante de uma sociedade patriarcal que acredita que o homem é quem deve levar dinheiro para casa, as mulheres brasileiras sofrem para ingressar no mercado de trabalho. Nesse sentido, deve-se analisar como a discriminação de gênero e a desigualdade salarial provocam a problemática em questão.

Em primeira análise, a discriminação de gênero é uma das principais responsáveis pela dificuldade da entrada feminina no mercado. Na série nacional da Netflix “Coisa Mais Linda”, que se passa no Rio de Janeiro, em 1959, uma das protagonistas trabalha em uma revista feminina que havia apenas ela de mulher. Todos os jornalistas eram homens assinando com nomes femininos: uma demonstração clara de que, até em assuntos voltados ao público feminino, há a cultura de descriminação mulheril. Por consequência dessa cultura, 61 anos depois, às circunstâncias não se alteraram, e exemplo disso é que segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), mostrou que em meio à crise econômica de 2017, 21,6 mil vagas de trabalho foram ocupados por homens, enquanto as mulheres perderam 42,4 mil postos de trabalhos. Isso significa que, diante da crise econômica, as empresas preferem demitir o mulheril e contratar pessoas do sexo masculino.

Além disso, nota-se, ainda, a persistência da desigualdade salarial de gênero. O artigo 7°, inciso xxx, da Constituição Federal proíbe a diferença de salários de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil. No entanto, um estudo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que as mulheres ganham menos do que os em todas as ocupações selecionadas na pesquisa. Mesmo com uma queda na desigualdade salarial entre 2012 e 2018, as  trabalhadores ganham em média, 20,5% menos que os homens no país. Isso ocorre porque, o fato de haver uma história cultura patriarcalista assentada na superioridade de gênero masculino no mercado laboral.

Torna-se evidente, portanto, que a visão inferiorizada da mulher no país precisa ser revista. Em razão disso, o Ministério da Educação, em parcerias com as escolas deve incluir a disciplina de Direitos Humanos no currículo dos ensinos infantil, fundamental e médio. Tal disciplina, com o intuito de desconstruir o patriarcado, e disseminar uma cultura igualitária de gênero. Dessa forma, todo brasileiro terá seu direito e participação ao trabalho garantido.