A mulher brasileira no mercado de trabalho

Enviada em 20/04/2020

Ângela, personagem da série “Coisa mais linda” é a única mulher na revista em que trabalha no Brasil do ano de 1959. Devido a isso, ela precisa superar, diariamente, os obstáculos que dificultam sua inserção no mercado de trabalho, como, por exemplo, os preconceitos e as atitudes de menosprezo dos seus colegas de serviço. Saindo da ficção e contrapondo à vida real, apesar do hiato temporal, sabe-se que a situação vivenciada por Ângela ainda é a realidade das mulheres no Brasil do século XXI. Assim, é fundamental entender os aspectos históricos e socioculturais  que permeiam a representatividade feminina no ambiente trabalhista.

Convém pontuar, de início, que, do ponto de vista histórico, a presença feminina no mercado de trabalho ocorreu, de maneira expressiva, durante a Segunda Guerra Mundial. Tal fato aconteceu, pois, ao passo que a guerra tomava proporções colossais, a necessidade por mão de obra crescia. Nessa lógica, as mulheres obtiveram novas funções, o que favoreceu, gradualmente, para a desconstrução da figura de “dona do lar”, a qual cerceava suas vidas. Sendo assim, mesmo que de maneira tímida, o sexo feminino conquista, cada vez mais, seu lugar de direito em empresas e indústrias.

Entretanto, é válido salientar que, devido a aspectos socioculturais da sociedade brasileira, ainda há empecilhos significativos para a inclusão da mulher no meio de trabalho. Isso ocorre em virtude da construção de papéis sociais femininos preconceituosos e arcaicos, os quais determinam a mulher como única responsável por cuidar da casa, dos filhos e do marido. Essa questão é tão séria que já foi abordada, como forma de denúncia social, no livro “O conto da Aia” em que é desenvolvida uma realidade distópica desfavorável para o sexo feminino, o qual não tem o mesmo acesso ao meio de trabalho que os homens, já que só podem exercer funções como cozinheira ou dona do lar.

Portanto, cabe a mídia socialmente engajada, desconstruir os preconceitos que se encontram enraizados na sociedade brasileira, por meio de campanhas e de plataformas de lutas sociais, como por exemplo a “Quebrando o tabu”, com o fito de garantir a igualdade de oportunidades trabalhistas para homens e mulheres. Ademais, cabe ao Governo Federal, a criação de medidas coercitivas que sejam capazes de impulsionar a contratação do sexo feminino em empresas e indústrias. Apenas assim, a vida de Ângela será uma exceção no Brasil e não a regra.