A mulher brasileira no mercado de trabalho

Enviada em 23/04/2020

Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam essa nação. Não longe da ficção, percebem-se aspectos semelhantes no que tange à questão da mulher brasileira no mercado de trabalho. Nesse contexto, torna-se evidente como causas o crescimento das mulheres no mercado de trabalho e a discrepância salarial entre homens e mulheres.

Em uma primeira perspectiva, o crescimento das mulheres no mercado de trabalho apresentou um aumento substancial, pois segundo dados do censo demográfico do IBGE, no ano de 2010 a participação feminina mais que triplicou em relação há sessenta anos atrás, passando para 49,9%. Entre os homens, por outro lado, o dado caiu para 67,1%. Dessa maneira, a mulher está ocupando uma grande parcela da população economicamente ativa PEI, contudo isso não mostra a dificuldade de muitas mulheres de trabalhar e cuidar de tarefas domésticas rotineiras que são exaustivas.

Ademais, a discrepância salarial entre homens e mulheres, e um fato ao qual se remete a sociedade patriarcal escravista, de modo que durante muito tempo, as funções da mulher se limitavam a cuidar da casa, do marido e dos filhos. Afinal, o homem devia atuar como provedor do lar. Esse cenário começou a mudar, sobretudo, a partir da segunda metade do século 18, com a Revolução Industrial. Na medida em que as indústrias se fortaleciam, a necessidade de mão de obra aumentava, surgiu então a necessidade da inclusão da mulher no trabalho, todavia o valor pago pelo trabalho feminino era inferior ao trabalho masculino. Logo, a desigualdade salarial é um fator presente desde a revolução industrial, com a inclusão da mulher no mercado de trabalho e essa desigualdade reflete, hoje, na ocupação de melhores empregos, cargos profissionais e salários.

Portanto, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Para que isso ocorra, o MEC juntamente com o Ministério da Cultura devem desenvolver palestras em escolas, para alunos do ensino médio, por meio de entrevistas com mulheres vítimas do problema de desigualdade salarial, bem como especialistas no assunto. Tais palestras devem ser webconferenciadas nas redes sociais dos Ministérios, com o objetivo de trazer mais lucidez sobre a discrepância salarial entre homens e mulheres e atingir um público maior.