A mulher brasileira no mercado de trabalho

Enviada em 12/05/2020

Na terceira temporada da série ´´Stranger Things`` - inspirada nos anos oitenta - da produtora Netflix, a personagem Nancy Wheeler, após propor em seu emprego uma ideia de reportagem para a empresa, é ridicularizada e humilhada por seus chefes que a indicavam como incapacitada para dissertar sobre o assunto. Fora da ficção, ainda nos dias atuais, decorrente de uma grande herança patriarcal e de anos de dominação dos homens perante as mulheres, o grupo feminino sofre com a desproporção no setor trabalhista brasileiro.

Em primeiro plano, é necessário evidenciar que a ideologia patriarcal presente no Brasil provém de longos anos de dominação masculina. Em virtude disso, segundo o blog SBCoaching, a primeira mulher a se formar no ensino superior somente alcançou esse feito em 1887, quando a gaúcha Rita Lobato Velho Lopes decidiu combater o machismo da época e cursar medicina. Esse fato demonstra a grande dificuldade enfrentada pelo sexo feminino nos anos anteriores, de modo que antigamente eram-se impostos à mulher os afazeres domésticos e não o trabalho industrial e inovador.

Por conseguinte, é importante salientar que a dominação imposta pelo sexo masculino assemelha-se à ideologia de classes desenvolvida pelo sociólogo alemão Karl Marx, na qual o ramo dominante - homem - realiza os trabalhos intelectuais, e, posteriormente, ocupa os melhores empregos e o dominado - mulher - desenvolve apenas o trabalho manual e sem grande importância inovadora. Esse pensamento, em conjunto com anos de patriarcalismo, corrobora na discrepância enfrentada pela mulher brasileira nos setores de trabalho, como é o caso de Nancy na série.

Em suma, com o intuito de proporcionar condições iguais de trabalho, é necessário que o poder público, mantenedor da ordem, do bem-estar social e do progresso civilizatório, desenvolva, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias nos meios de informação que conscientizem a população sobre o patriarcalismo presente no país. Somente assim, almejar-se-ia que as brasileiras não sofram como Nancy.