A mulher brasileira no mercado de trabalho
Enviada em 14/05/2020
Apesar da ascensão feminina no mercado de trabalho ao longo dos anos, especialmente a partir do século XX, existem ainda diversos desafios a serem superados nesse aspecto. Entretanto, a persistente desigualdade salarial e o conservadorismo referente à imagem da mulher moderna, são fatores que impedem a completa efetivação de uma realidade com igualdade de gênero.
A priori, é importante ressaltar que existe atualmente uma considerável diferença salarial entre mulheres e homens que ocupam os mesmos postos formais de trabalho. Um exemplo disso são os dados de um estudo produzido pela Oxfam Brasil, onde está registrado que, em 2017, as mulheres brasileiras tiveram uma remuneração média de cerca de 70% do salário de homens que ocupavam os mesmos cargos. Essa situação se reflete também na taxa de desemprego do país, como é possível observar em registros referentes ao quarto trimestre do ano de 2018, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nos quais consta que a taxa de desemprego foi de 10,1% na parcela masculina da população e de 13,5% na feminina. Devido à essa situação, as mulheres são muitas vezes associadas a profissões de menor remuneração ou a tarefas domésticas, situação que deve ser analisada e revertida com urgência.
A posteriori, outro aspecto a ser analisado é o pensamento conservador referente à mulher e ao seu papel na sociedade, uma vez que grande parcela da população ainda associa a imagem feminina a tarefas domésticas e criação de filhos, duvidando da capacitação de muitas mulheres, principalmente no aspecto intelectual. Destarte a isso, apesar de ser uma realidade, essa situação se encontra registrada em muitas obras fictícias, tal como na série “Anne with an E”, na qual está explícita uma realidade de grande conservadorismo em relação à figura feminina, perceptível em diversos momentos, mas principalmente quando um professor da escola de Anne é substituído por uma mulher, trazendo indignação e inconformação aos pais dos alunos e a todos da região, por acreditarem que uma professora solteira não seria capaz de educar as crianças. Assim sendo, a ideia de uma mulher dona de casa, apesar de errônea, se mostra real em muitos casos, uma vez que a dupla jornada feminina impede que diversas mulheres concluam seus estudos ou que se dediquem inteiramente a seu trabalho, cenário que deve ser alterado.
Portanto, urge que o Poder Público e toda a população brasileira assegure os direitos da mulher, através de campanhas, palestras sobre a importância das mulheres para a sociedade e iniciativas para alcançar a igualdade salarial, em prol da valorização da mulher trabalhadora. Caso feitas em conjunto, tais medidas tenderiam a permitir uma melhor inserção feminina no mercado de trabalho brasileiro.