A mulher brasileira no mercado de trabalho
Enviada em 13/05/2020
“Project MC²” é uma série americana que retrata o cotidiano de adolescentes de uma cidade interiorana. Nesse sentido, a obra foca em cinco jovens que trabalham para uma empresa de espionagem governamental composta somente por mulheres. Fora da ficção é fato que houve um aumento progressivo do empoderamento feminino no mercado de trabalho. No entanto, a cultura do patriarcado e a desigualdade salarial apresentam-se como desafios na busca por igualdade de gênero no setor econômico.
Em primeira análise, vale salientar que, heranças históricas implicam diretamente no pleno exercício feminino nas empresas. Segundo Aristóteles, filósofo grego, o macho é por natureza mais perito na liderança do que a fêmea e entre eles deve haver uma relação de superior e inferior e de governante a governado. Sob essa ótica, fica explícito que a sociedade atual ainda carrega consigo marcas da antiguidade que dita o homem como mais forte e capaz de realizar cargos de poder. Por consequência, as empresas ainda são compostas, em sua maioria, pela figura masculina. Conforme dados divulgados pelo jornal O Globo, no ano de 2018, as mulheres ocupavam somente 21% das vagas do setor público. Assim, permanece instaurado na população a cultura do patriarcado: os homens dominando os setores econômicos, políticos e sociais.
Ressalta-se, ademais, que conforme o artigo 5º da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), os salários devem ser iguais, sem distinção de sexo, para trabalhos de igual valor. Contudo, verifica-se que a lei não é totalmente eficaz ao observar que os homens ganham 30% a mais que as mulheres para exercerem as mesmas funções e cumprir a mesma jornada de trabalho, como afirmado, em 2018, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa conjuntura advém do contexto histórico que, ao atribuir às meninas somente atividades domésticas e delimitar seu acesso à educação, contribuiu para sua entrada tardia nos negócios, o que gerou preconceito e disparidade de privilégios entre gêneros.
Portanto, visando reduzir a discriminação entre gêneros, urge que o Governo Federal crie, por meio de verbas públicas, cotas para as empresas contratarem uma quantidade mínima obrigatória de mulheres para integrarem suas equipes. Simultaneamente, oferecer cursos de capacitação educacional, por intermédio de Institutos Federais, que as preparem para o mercado de trabalho e, consequentemente, diminua a disparidade salarial que tem como justificativa a diferença do grau de instrução. Somente assim, será possível combater o pensamento machista da sociedade que impõe o homem como superior. Feito isso, tornar-se-á realidade no Brasil a utopia vivenciada na série.