A mulher brasileira no mercado de trabalho

Enviada em 14/06/2020

Com o advento da contemporaneidade, muitas barreiras impostas pela sociedade patriarcal do passado para as mulheres já foram ultrapassadas. No entanto, reflexos dessas barreiras ainda podem ser notadas em diversas áreas de nossa atual sociedade, como no mercado de trabalho. Neste campo, ainda pode ser observado que, em relação aos homens, a condição das mulheres no mercado ainda não é equivalente, no sentido de não terem as mesmas oportunidades e enfrentarem diversas injustiças. Tal fato fere o artigo VII da Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU), e deve ser combatido de maneira eficaz.

No âmbito privado, apenas 37% das empresas têm mulheres em altos cargos de comando, e apenas 21,7% no setor público, embora as mulheres representem cerca de 43,8% de todos os trabalhadores brasileiros. O fato das mulheres estarem mais presentes em baixos cargos nas empresas vem de uma convenção social histórica de que aqueles que proviam o sustento da casa eram os homens. Assim, tomando o trabalho feminino apenas como fonte de renda secundária das famílias, e portanto, desvalorizando-o e fazendo com que as mulheres até hoje recebam menos que os homens embora que exerçam a mesma função de trabalho que os mesmos.

Em 2017, essa diferença salarial entre homens e mulheres atingiu os 20,7%. No Brasil, em geral, as mulheres apresentam maior escolaridade que os homens, com elas tendo cerca de 7,3 anos de escolaridade e eles 6,3 anos, o que torna esse dado ainda mais incoerente. Isso vai contra a constatação de que aqueles com maior grau de conhecimento tem mais oportunidades no mercado. Existem empresários que tentam justificar que é mais difícil manter financeiramente uma mulher em um emprego que um homem, pois ao engravidar, a mulher traria prejuízos estando fora da empresa e recebendo a licença-maternidade, havendo, inclusive, demissão de mulheres ao engravidarem.

Faz-se necessário, portanto, a adoção de medidas para que os caminhos para a conquista de altos cargos em empresas pelas mulheres não sejam dificultados, assim como para obter um salário equivalente ao dos homens. O Ministério do Trabalho, junto à iniciativa privada, deve manter uma fiscalização ativa nas empresas para assegurar que não haja desigualdade de gênero nos ambientes de trabalho, assim como criar campanhas que incentivem a contratação de mulheres. Também poderia ser proposta a aplicação de multas em empresas que despedissem mulheres grávidas ou recém-mães, classificando a demissão como injusta causa. Tais medidas iriam ajudar a criar uma sociedade mais igualitária, visto que não há diferença nas competências que homens e mulheres podem atingir.