A mulher brasileira no mercado de trabalho
Enviada em 14/06/2020
Com o advento da Revolução Industrial, o mundo testemunhou a maior inserção da mulher no mercado de trabalho. Mais que econômico, esse foi um fenômeno cultural. Assim sendo, ficaram à mostra os benefícios da maior participação dessa parte da população na economia. Porém, no século XXI, no Brasil, a alta disparidade salarial e a sobrecarga de tarefas familiares dificultam a cada dia a sua entrada no mercado. Isso posto, uma transformação cultural é necessária, a partir do maior agente de mudança social vigente: a escola.
A priori, destaca-se uma pesquisa financiada pela Oxfan Brasil de 2018, a qual mostrou que, no Brasil, as mulheres recebem em média 70% dos salários dos homens, mesmo exercendo a mesma função. Com isso, a pesquisa mostra como ideias equivocadas a respeito da capacidade física e intelectual do sexo feminino por parte dos contratantes são danosas. Essa se torna, desse modo, uma questão cultural.
Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade líquida”, o avanço do capitalismo e da troca de informações são decisivos para as mudanças sociais. Por conseguinte, a escola, centro da replicação do saber, é essencial, pois a partir dela, mais mulheres poderão ter acesso ao ensino superior e serem educadas quanto à divisão igual de tarefas domésticas com seus parceiros. Servindo, então, como agentes reformadores da sua realidade.
Portanto, é mister que o Ministério da Educação promova a criação de campanhas estaduais que resgatem mulheres que foram incapacitadas de terminarem os estudos por questões familiares para a escola por meio de visitas a domicílio. Ademais, palestras anuais nas escolas, em conjunto com emissoras de tv, devem ser criadas, visando educar as novas gerações a respeito dos danos que a visão machista das capacidades femininas pode causar para toda a população. Logo, a mudança social será possível para milhões de brasileiras injustiçadas no trabalho pelo seu gênero, seguindo a lição deixada pela Revolução Industrial séculos atrás.