A mulher brasileira no mercado de trabalho

Enviada em 18/08/2020

O mito da caverna, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Em alusão à citação, percebe-se que a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito à desigualdade entre gêneros no mercado de trabalho, visto que, apesar de a legislação trabalhista garantir a igualdade entre homens e mulheres, a disparidade salarial e outras formas de discriminação ainda persistem no cenário brasileiro contemporâneo. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação, que possui como causas: a insuficiência de leis e a lenta mudança na mentalidade social.

A princípio, a insuficiência legislativa apresenta-se como um complexo dificultador. A Constituição Federal de 1988 é a lei básica brasileira que busca garantir a integridade dos seres vivos e do ambiente em que estão inseridos. No entanto, essa legislação não tem sido suficiente no que se refere à garantia dos direitos trabalhistas para as mulheres. De acordo com dados divulgados pelo IBGE, em 2019 houve um aumento da diferença dos salários de mulheres e homens de 9,2% em relação ao ano anterior, isso mostra que o problema continua atuando fortemente no contexto atual. Assim, com a lei sendo enfraquecida, dificulta-se a resolução desse impasse.

Outro ponto relevante nessa temática é a lenta mudança na mentalidade social. Segundo Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão da discriminação contra as mulheres no mercado de trabalho é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, as mulheres são identificadas pela sociedade machista como “sexo frágil”. Diante disso, nota-se que esse esteriótipo leva não só a desigualdade salarial como também ao privilegiamento de oportunidades. Portanto, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social intolerante, opressor ou injusto, a tendência é adotar esse comportamento também, o que torna sua solução ainda mais complexa.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Torna-se imperativo, portanto, modificar a visão da população a respeito das leis. Isso pode ocorrer através de uma ação conjunta do Poder Judiciário com o Ministério da Educação, promovendo palestras e debates em escolas acerca do processo de elaboração e fiscalização das leis no Brasil, a fim de que as novas gerações se tornem mais atuantes e entendam o propósito das leis para a resolução de problemas como a desigualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho.