A mulher brasileira no mercado de trabalho

Enviada em 23/06/2020

De acordo com a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, era clara a proibição da discriminação no mercado de trabalho por motivo de gênero, o que garantia mais isonomia e direitos para as mulheres no âmbito trabalhista. Porém, fora da utopia dos papéis, tal proibição não gerou grandes mudanças, visto que, ainda nos dias atuais, a mão de obra feminina é extremamente desvalorizada do ponto de vista econômico e social. Diante disso, é necessário discutir os problemas que cercam as mulheres no meio profissional.

Primeiramente, é necessário voltar na história e relembrar as raízes da discriminação da mulher no mercado de trabalho. Durante a Primeira Revolução Industrial, mulheres eram contratadas preferencialmente para o ofício em indústrias por conta do seu baixo custo e aproveitamento em larga escala, o que acabou gerando um aumento na discrepância entre os salários oferecidos para homens e mulheres. Hodiernamente, esse aspecto continua sendo observado no atual mercado de trabalho, onde mulheres recebem cerca de 30% menos. Prova disso, é uma pesquisa realizada pela organização Oxfam Brasil, que anunciou que no ano de 2016, as mulheres obtiveram, em média, 72% da renda dos homens.

Em segundo lugar, é indubitável o destaque para os desafios enfrentados pelas mulheres brasileiras que conseguem se inserir no mercado de trabalho. Entre esses desafios, encontra-se o assédio sofrido em seu posto de ofício, onde o assediador se utiliza de sua posição hierárquica para intimidar e assim, abusar da vítima. Tal abuso pode ser caracterizado como xingamento, difamação, contato físico indesejado e até mesmo imposição de piadas com caráter sexual. Tudo isso promove o aumento do adoecimento mental das funcionárias, aumento de faltas e perda de eficiência, que impõem cada vez mais barreiras para sua ascensão no meio profissional.

Tendo em vista os fatos supracitados, é necessária uma reestruturação no âmbito trabalhista, voltada para as necessidades femininas. Em primeiro lugar, é imprescindível que o Ministério do Trabalho juntamente com o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos promovam campanhas nas mídias sociais à respeito da igualdade de gênero, promovendo o debate sobre o assunto no meio social e tornando cada vez rotineira a participação da mulher no mercado de trabalho. Além disso, é importante a mobilização das empresas na prevenção de casos de assédio, por meio da criação de canais de denúncia, adoção de códigos de ética, treinamento de gestores e promoção da diversidade de gênero em cargos de liderança. Assim, o Brasil deixará para trás as heranças deixadas pela Industrialização e promoverá maior inserção da mulher no mercado de trabalho.