A mulher brasileira no mercado de trabalho

Enviada em 27/06/2020

Na obra pré-modernista “Triste fim de Poliquarpo Quaresma”, do escritor Lima Barreto, o major Quaresma, grande admirador do país, acreditava que, se superados alguns desafios o Brasil alcançaria o patamar de nação desenvolvida. Hodiernamente, fora da literatura, percebe-se que tal horizonte literário não mimetiza a realidade atual, visto que o núcleo brasileiro ainda enfrenta sérios problemas, dentre eles a dificuldade para inserção das mulheres no mercado de trabalho. Esse âmbito de iniquidade é fruto tanto  da elitização de gênero quanto do silenciamento pessoal.

Deve-se analisar, primeiramente, que a imagem preconcebida da mulher como um estereótipo frágil é um fator determinante para problemática. Segundo o sociólogo Sérgio Buarque de holanda, o conhecimento deve estar vinculado aos problemas do presente. Nesse sentido, sabe-se que a não interação feminina no campo profissional, é uma conjuntura enraizada na sociedade desde o período monárquico, no qual as mulheres não tinham nenhuma participação na sociedade, levando em conta, apenas, o nome de conservadora do lar. O seriado espanhol “As Telefonistas”, através da ficção demonstra à etílica situação das mulheres no cenário profissional diante ao patriotismo do governo espanhol da década de 20. Diante disso, é notório que tais estruturas ainda estão eminentemente ramificadas nas camadas sociais, acarretando, dessa forma, a exclusão feminina em muitos cargos profissionais inabitados. Logo, é substancial a dissolução desse panorama infringente.

É vital evidenciar, ainda, que a falta de inclusão das mulheres no mercado de trabalho brasileiro encontra terreno fértil no silenciamento da população. Acerca dessa assertiva, Habermas faz uma contribuição que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Sob esse prisma, para que haja a inserção da mulher em tal arbitro, é necessário discutir sobre. No entanto, verifica-se certa lacuna no que se refere a essa questão, que ainda é muito silenciada, pois a população se mantém passiva e calada diante tal problematização, além do que, conforme o levantamento do PNAD, a falta de colocação feminina nas esferas trabalhistas chegaram a 64,7%. Nessa lógica, trazer à parte esse tema e debatê-lo, amplamente, aumentaria a chance de atuação nele.

Portanto, pela perspectiva de Isaac Newton, uma força só é capaz de sair da inércia se outra lhe for aplicada. Em vista disso, depreende-se o poder público, como instância máxima da administração executiva, juntamente com o Poder Legislativo, por meio de ações: leis mais amplas, programas sociais para inclusão feminina no mercado, propagandas televisíveis e publicações em redes digitais, promover a inclusão de tal massa populacional, para que, dessa maneira, as mulheres possam atuar em áreas profissionais distintas. Somente, assim, os ideais do major Quaresma poderão ser evidenciados.