A mulher brasileira no mercado de trabalho

Enviada em 11/07/2020

Se dentro das empresas as mulheres não encontram igualdade de poder, muitas vezes a alternativa acaba sendo abrir o próprio negócio. No empreendedorismo, as estatísticas são mais equilibradas: praticamente meio a meio para homens (54%) e mulheres (46%), segundo dados da pesquisa Global Entrepreneuriship Monitor (GEM).

Formada em engenharia mecânica e de alimentos, Isabela Capelão, 43, era gestora de desenvolvimento de uma rede de equipamentos para cozinha. Acumulava funções tanto na fábrica, como nas lojas. Mas sentia-se tão estressada diante de conflitos de interesses no ambiente dominado por decisões masculinas, que, aos 37 anos, sofreu um AVC. O susto soou como um alerta e ela trocou a gestão por um negócio próprio.

Isabela trabalhava em uma empresa familiar. “Se eu fosse homem seria diferente. Haveria mais confiança para me entregar esse bastão da direção. Acredito que isso aconteça por cultura machista, de acharem que homens são mais capazes para algumas atividades, sobretudo de liderança e cargos mais altos”, diz.

Para a sócia-fundadora e atual diretora de Recursos Humanos da Forno de Minas, Hélida Mendonça, a contratação de mulheres é algo que precisa ser natural. Lá, mais da metade dos funcionários são mulheres. E, dos 98 diretores, gerentes e supervisores, 33% dos cargos são ocupados por elas.

“O presidente é meu irmão, mas ele nunca pensou nessa questão de homem ou mulher. Eu acho que tudo tem muito a ver com a criação. Só faz essa diferenciação quem vem de um meio machista. Aprendemos com mulheres fortes, como a minha mãe”, conta Hélida. Dalva Mendonça fundou a Forno de Minas ao lado dos filhos em 1990.