A mulher brasileira no mercado de trabalho
Enviada em 13/07/2020
No seriado de televisão ´´That ’70s Show``, é retratada a vida na década de 70 nos Estados Unidos da América (EUA), o que possibilita ao telespectador conhecer o cotidiano da época mesmo sem ter vivenciado-a. Muitos episódios apresentam que a mulher deveria estar em casa enquanto o homem era responsável por sustentar a família. Entretanto, a complicação da mulher em relação ao mercado de trabalho ocorreu não só nos EUA, mas em diversos lugares do mundo, inclusive no Brasil, o que até hoje traz agravantes que merecem atenção.
A revolução industrial no século XVIII levou homens, mulheres e crianças para o âmbito industrial, porém em condições diferentes. A figura feminina foi sempre relacionada ao contexto familiar, enquanto a masculina ao contexto provedor e trabalhista, o que mantém na sociedade atual características extremamente negativas de desvalorização ao trabalho exercido pela mulher, por isso desde a revolução elas recebem menos. A proliferação desse pensamento e suas consequências para o presente momento pode ser observada em diversos dados, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por exemplo, constatou que as mulheres ganham, em média, 20,5% menos do que os homens em todas as ocupações selecionadas na pesquisa, e o rendimento médio varia cerca de 500 reais entre os gêneros.
Em meio á essa e tantas outras problemáticas encontradas sobre o assunto, têm-se também a hierarquização da divisão trabalhista. Nesse caso, há a propagação de que o gênero masculino possui as habilidades necessárias para exercer a função mais ´´difícil`` e é, consequentemente, mais valorizado, enquanto a mulher não, limitando-a à exercer o trabalho menos valorizado. Ressalta-se o fato de que as mulheres são comumente os principais alvos de demissões, mas não de contratação, mesmo que elas tenham mais instrução e qualificação, apontam os estudos da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).
Diante dos vestígios de um pensamento que superioriza o papel masculino antes e durante o desenvolvimento industrial e prevalece ao estabelecer funções mais propícias à cada gênero, faz-se necessário que o Ministério do Trabalho e o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MDH) assegurem por meio de leis os direitos trabalhistas igualitários, tendo em vista a ausência da preferência por gênero e disponibilizando um órgão acessível especializado para receber denúncias de acontecimentos que violem tais medidas, a fim de diminuir a desigualdade que inibe tanto a promoção da melhor qualidade de vida às mulheres brasileiras quanto o favorecimento dos índices econômicos do país.