A mulher brasileira no mercado de trabalho

Enviada em 11/07/2020

Na série, “A vida e a história de Madam C.J. Walker”, conta a história de uma empresária estaduni-dense negra que enfrentou os preconceitos e dificuldades e criou sua própria linha de produtos capilares para mulheres de cor. Contudo, o Brasil parece ser exatamente as dificuldades e os precon-ceitos que a personagem enfrentou, uma vez que as mulheres brasileiras enfrentam diversos impasses no mercado de trabalho nacional, como a dupla jornada de trabalho e os novos problemas laborais e familiares causados pela pandemia.

Antes de tudo, vale ressaltar que muitas mulheres têm de continuar um trabalho doméstico após terminarem a jornada de oito horas trabalhadas. Ao pensar nesse contexto, a série documental “Explicando: porquê mulheres ganham menos” diz que uma das razões para a diferença salarial é o fato de as mulheres “terem” de cuidar da casa e dos filhos após o trabalho regular. Apesar disso, o chamado “sexo frágil” se mostrou forte e conquistou diversos direitos ao longo dos anos, mas que, mesmo assim, não foram suficientes para romper com tal estigma social que tanto as prejudica. Com isso, a culpa recai sobre a sociedade patriarcal dos dias de hoje que ainda impede o avanço nos direitos femininos, a medida que reforça o estigma da dona de casa através de brinquedos e brinca-deiras que estimulam apenas meninas a cuidarem do lar, como brincar de casinha e de cozinhar.

Além disso, em meio a esse cenário catastrófico chega a pandemia da COVID-19, que agrava a situação. Nesse sentido, a série “Diário de um confinado” apresenta uma psicóloga que, além de lidar com a modalidade “online” de trabalho, têm de atender às necessidades de seu filho adolescente que sempre a interrompe durante as seções de terapia. Sendo assim, é possível concluir que se a jornada trabalhista pré-pandemia era dupla, com a pandemia ela se torna tripla, já que a todo instante as mulhe-res são induzidas a atenderem as expectativas de patrões, maridos e pais, sem nenhum benefício adicional por isso. Ademais, muitas delas são responsáveis pelo sustento de suas famílias, o que faz surgir a obrigação de manter o sustento familiar mesmo que isso beire o impossível.

Portanto, fica claro que a questão trabalhista feminina no Brasil está longe do ideal e precisa ser reformulada. Logo, cabe a mídia digital e televisiva a promoção de conteúdos de entretenimento, como novelas, séries e filmes, que mostrem um rearranjo familiar, no qual o homem também tem papel importante na criação dos filhos e na manutenção do lar. Isso deve ser feito por meio da promoção de tais conteúdos em horários de pico na TV, e em redes famosas na internet, como Netflix e YouTube, para que a sociedade possa absorver os novos valores familiares e diminuir consideravelmente as diferenças trabalhistas entre os sexos a medida que tais valores são difundidos.