A mulher brasileira no mercado de trabalho

Enviada em 12/07/2020

Em um de seus poemas, Carlos Drummond de Andrade cita: “Tinha uma pedra no meio do caminho”, metaforizando os desafios que impedem o pleno desenvolvimento de um bem-estar social. Correlativamente, no Brasil hodierno, a desvalorização da mulher no meio trabalhista configura-se como um obstáculo na conquista legítima do bem comum, uma vez que essa atitude faz com que haja uma maior desigualdade de gênero nessa área. A partir disso, é válido inferir que a lenta mudança de mentalidade dos cidadãos, bem como a omissão governamental estão entre as principais premissas agravantes desse panorama.

É inevitável, em primeiro aspecto, observar o comportamento machista da população, ratificado pela diferença de tratamento no mercado de trabalho entre sexos opostos, em vez de cooperarem para a formação de uma sociedade justa e igualitária. Questões desse tipo conduzem à violência moral contra as mulheres, visto que, com essa conjuntura, as cidadãs não são devidamente reconhecidas em seu ambiente laboral. Sob essa ótica, cabe resgatar a história de Marie Curie, cientista polonesa que foi pioneira em diversas descobertas sobre radioatividade, assim como Rutherford fora um dos mais importantes pesquisadores da mesma área, no entanto, este é mais reconhecido atualmente. À luz dessa ideia, faz-se essencial mitigar esse preconceito entre gêneros no ambiente de trabalho.

Outrossim, as autoridades públicas não têm dado a devida importância sobre o assunto, visto que há escassas tentativas, por parte desse órgão, de combater as discrepâncias enfrentadas por citadinas no local de trabalho. Situação como tal auguram indolência do Estado quanto à configuração de um bem estar comunitário, já que as mulheres continuam sofrendo com a desigualdade salarial, por exemplo. Nesse sentido, segundo o Fórum Econômico Mundial, o Brasil é o penúltimo colocado no ranking de igualdade salarial entre os países da América, o que evidencia essa omissão governamental, a qual precisa ser contendida.

Torna-se improtelável, portanto, desconstruir problemas e propor medidas solutivas. Em vista disso, cabe às ONG’s de proteção e valorização das mulheres, mediante redes sociais - detentoras de grande abrangência nacional -, elaborarem ficções engajadas, as quais demonstrem a importância feminina no ambiente laboral, a fim de promover uma deliberação comunitária. É fundamental, analogamente, que o Congresso Nacional, por meio do Ministério da Economia - atual responsável pela área trabalhista -, incentive uma fiscalização rigorosa das leis relacionadas à labuta, principalmente no que se refere à condição salarial, com o fito de assegurar direitos iguais para ambos os sexos numa mesma função. Desse modo, conseguir-se-á que o país retire a “pedra no caminho” citada por Drummond.