A mulher brasileira no mercado de trabalho
Enviada em 12/07/2020
A constituição de 1988 é considerada “a constituição cidadã”. Esta denominação explica-se, pois, um dos seus princípios básicos é a isonomia, ou seja, a igualdade de direitos. E nesse contexto todos são iguais perante a lei. Não obstante, a sociedade contemporânea é denominada de sociedade patriarcal ao inferir que há um predomínio da dominação masculina na estrutura social. Desse modo o papel da mulher também está sendo determinado. Este, se expressa por meio da subordinação e do cuidado, a qual impossibilita a parcela feminina da sociedade usufruir de direitos igualitários.
Primeiramente, o suposto “poder” masculino nasceria no seio familiar, ou seja, na esfera privada, mas deveria expandir-se parar todas as outras áreas da vida pública como a politica, a economia e o trabalho. Este contexto mostra a subordinação, a visão equivocada que a mulher seria menos capaz, forte ou racional que o homem, e por isso deveria se subordinar as decisões dele. Com a subordinação, constrói-se uma falsa visão de inferioridade feminina. E com esta condição de inferiorização o valor da mulher foi atribuído a construção de garantias para manutenção do sucesso do homem, logo não podendo ocupar posições de destaque ou liderança.
Em segundo lugar, o cuidado seria a função que o patriarcado construiu para mulher na família e na sociedade. Conforme a socióloga Simone de Beauvoir em sua citação: “É o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam como feminino”. A mesma afirma que a mulher exerce um papel que está abaixo de sua condição de mulher, e então seria comparada ao masculino, como se fosse um homem castrado e não um ser feminino. Sendo assim, a mulher é construída socialmente como um ser inferior. Isto se explica pois elas não tiveram a obtenção de direitos como o voto e nem o trabalho fora, pois deveriam estar limitadas aos domínios da esfera privada, já que a esfera pública era de domínio masculino.
A estratificação de gênero é imprescindível para o avanço social. Portanto, ela faz vítimas tanto na esfera pública, porém sobretudo na esfera privada. Com intuito de amenizar essa problemática as escolas de educação básica, juntamente com as famílias devem se inserir na discussão sobre o sexismo, a fim de valorizar a individualidade do ser humano desde cedo. Ademais, o Estado também deve intervir, em conjunto com a indústria com o objetivo de democratizar o mercado de trabalho, buscando aplicar políticas salariais justas e igualitárias, como também a promoção de maiores oportunidades as mulheres, por exemplo nos cargos de lideranças. Assim o Brasil gradativamente irá desconstruindo a desigualdade de gêneros existente em diversos âmbitos sociais.