A mulher brasileira no mercado de trabalho

Enviada em 12/07/2020

A hora de trabalho de uma mulher ainda vale um quarto a menos do que a de um homem no maior país da América Latina. Em vez de espelhar diferenças como educação ou experiência, a diferença salarial parece refletir práticas discriminatórias e normas sociais, mesmo que a Constituição brasileira autorize homens e mulheres aos mesmos direitos.

Um novo estudo do Banco Mundial revela que, se essa desigualdade for totalmente eliminada do mercado de trabalho, não apenas as mulheres - mas também a economia nacional - poderão sentir os benefícios.

O relatório Igualdade de Gênero e Crescimento Econômico no Brasil considera um conjunto hipotético de leis anti-discriminação destinadas a promover a igualdade de remuneração entre homens e mulheres. E embora a conseqüência imediata dessa política seja um aumento na renda familiar, muitos outros efeitos podem ser sentidos a longo prazo.

Uma renda mais alta leva a um nível mais alto de poupança privada, que tem um efeito positivo direto no crescimento e na receita tributária, de acordo com o relatório. Além disso, maiores receitas tributárias também levam a maiores gastos públicos em saúde e educação, o que gera impactos positivos na saúde de crianças e adultos.

“Assim, a longo prazo, uma redução no viés de gênero leva a uma melhoria no estado de saúde das mulheres e a um aumento de cerca de 0,15 ponto percentual na taxa de crescimento do produto”, afirmam economistas e autores Otaviano Canuto, vice-presidente do Banco Mundial, e Pierre-Richard Agénor, professor da Universidade de Manchester.

As mulheres já representam quase 44% da força de trabalho do Brasil . Além disso, 59,3% das empresas brasileiras têm uma mulher entre os principais proprietários. Eles também superaram os homens em todos os níveis de ensino. Mesmo assim, as mulheres brasileiras ainda são tratadas de forma desigual pelo mercado de trabalho - e continuam a suportar o peso do tempo alocado nas tarefas da família.