A mulher brasileira no mercado de trabalho

Enviada em 15/07/2020

A sociedade brasileira, historicamente patriarcal, vem sofrendo constantes transformações. Destarte, o papel da mulher no quesito provedora do lar e, não apenas cuidadora dos filhos, tem ganhado destaque. No entanto, a inserção dessa no mercado de trabalho ainda é alvo de questionamentos e distinções salariais de gênero. Tal problemática deve ser veementemente combatida, a fim de que o princípio da isonomia se sobreponha ao machismo e as conquistas do feminino sejam, de fato, validadas.

A priori, vale ressaltar que mesmo tendo conquistado amplos direitos, a capacidade profissional das mulheres ainda é bastante indagada, por alguns. Dessa forma, o preconceito em algumas profissões, consideradas “masculinas”, faz com que as damas sejam subvalorizadas e colocadas em cargos secundários, por mais que sejam dotadas de mais formações acadêmicas que os cavalheiros. Para ilustrar isso, segundo pesquisa do Jornal G1, em 2017, cerca de 6% a mais de mulheres possuíam ensino superior quando comparadas aos homens; e ainda assim, apenas 19% estavam em cargos de chefia. Portanto, além de injusto para com elas, a não promoção de oportunidades iguais independente de sexo, acaba por realocar as mulheres capacitadas de maneira ineficiente no mercado, podendo impactar negativamente no âmbito econômico do país.

Além disso, a diferença salarial entre homens e mulheres que ocupam o mesmo cargo é descomunal. Nesse cenário, ainda que ambos, em teoria, possuam as mesmas capacidades, ainda há predomínio de um gênero sobre outro; o que é evidenciado de acordo com dados do IBGE: em 2019, os homens ganharam cerca de 30% a mais que as mulheres, para as mesmas ocupações. Dessa forma, torna-se evidente o caráter discriminatório e excludente baseado, em sua maior parte, no gênero biológico do que na real capacidade intelectual do dito “sexo frágil”.

Em suma, os preconceitos da inserção da mulher brasileira no mercado de trabalho devem ser enfrentados a longo prazo, desde a sua origem, para que se alcance igualdade e justiça almejadas. Assim sendo, o Ministério da Educação deve ofertar cursos gratuitos aos professores, capacitando-os a dar aulas nas escolas, desde o ensino básico, contra o machismo e sobre a importância da equidade de gênero nos mais diversos setores. Dessa forma, a criança poderá adquirir valores que regerão sua atuação social ao longo do seu crescimento, eliminando com o passar dos anos, ainda que de maneira lenta, a visão social distorcida da mulher como inferior ao homem.