A mulher brasileira no mercado de trabalho

Enviada em 05/08/2020

No Brasil é evidente um entrave na inserção de mulheres no mercado de trabalho, que compõe uma situação na qual apenas 44% das mulheres estão presentes nas atividades produtivas, de acordo com uma pesquisa do Ministério do Trabalho em 2016, e o tempo gasto pelas mesmas em atividades doméstica é 80% maior que o de homens, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Diante do exposto, é indubitável que a estruturação social patriarcalista brasileira fomenta a falta de incentivo à presença feminina no mercado de trabalho, ferindo o direito das mulheres como cidadãs. É preciso que os órgãos governamentais que lutam pelos direitos femininos, se prontifiquem na quebra desse ideal discriminativo e estimule mulheres a fazer parte do mercado de trabalho.

Primeiramente, é necessário enfatizar que igualdade entre a presença feminina e masculina no mercado de trabalho, encontra um entrave nos fundamentos patriarcalistas enraizados na cultura brasileira. Isso fica evidente, uma vez que o Brasil, por muitos anos, teve como ideal a submissão da mulher em relação ao homem, direcionando para as mesmas os afazeres domésticos, como cozinhar, limpar a casa e cuidar dos filhos, formando um cenário no qual o mercado de trabalho era exclusivamente masculino. Logo a perpetuação desse ideal machista na atualidade, oriunda de sequelas sociais de anos de inferioridade feminina, desestimula o ingresso das mulheres no mercado de trabalho e as direcionam ao zelo do lar.

Em segunda analise, é preciso ressaltar, que a propagação de uma cultura que exclui a mulher do ambiente de trabalho, fere gravemente os direitos das mesmas como cidadãs. Esse fato se comprova ao se analisar a Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada pela ONU (Organização das Nações Unidas), na qual consta que todo indivíduo tem direito a igualdade de gênero. Sendo assim é inadmissível a difusão de ideologias que restrinjam as mulheres às funções domésticas.

Portanto, é dever do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, incentivar o ingresso das mulheres brasileiras no mercado de trabalho e desconstruir ideais que as incentivam às atividades domésticas. Tal incentivo deve ocorrer por meio do financiamento de campanhas publicitárias que estimulem a representatividade feminina nas atividades produtivas, com a finalidade de formar um mercado de trabalho igualitário, garantindo o direito das mulheres como cidadãs.