A mulher brasileira no mercado de trabalho
Enviada em 07/08/2020
A participação expressiva da mulher brasileira no mercado de trabalho remonta às últimas décadas do século passado, quando o país passava pelo processo de avanço e crescimento industrial. Não obstante, apesar dessa crescente inserção feminina no mercado, a valorização de sua força de trabalho parece não ter tido um desenvolvimento proporcional. Nesse viés, faz-se necessária uma análise quanto à questão da desigualdade salarial e à dupla jornada de trabalho a que são submetidas.
A princípio, o certame da discrepância remunerativa entre os sexos tem ganhado destaque nas últimas décadas. O ponto levantado pelas mulheres é o de que ganham menos por desempenharem as mesmas funções que os homens. Contudo, de acordo com um estudo realizado pela Fundação de Econonomia e Estatística, do estado do Rio Grande do Sul, em 2015, a desigualdade salarial pode ser explicada por três fatores: elas interrompem suas carreiras com mais frequência, têm jornadas de trabalho menor e se concentram em ocupações que remuneram menos. Ou seja, economicamente, a tese levantada pelas mulheres não se sustenta, uma vez que, sob essa ótica, para as empresas seria mais lucrativo ter somente funcionárias mulheres.
Em adição, é explícito o acúmulo de funções que as mulheres possuem pois, ainda que o estudo supracitado mostre que elas laborem menos no ambiente de trabalho, este não leva em conta o serviço doméstico que desempenham diariamente. Culturalmente, em nosso país, tarefas domésticas como cuidar dos filhos, da limpeza da casa e da preparação das refeições, são associadas às mulheres. Muitas destas não contam com a ajuda de seus parceiros na divisão dos afazeres, o que as sobrecarrega sobremaneira e influencia indiretamente na qualidade de vida e no desempenho profissional.
Destarte, urge que providências sejam tomadas com o fito de atenuar a atual situação feminina no mercado de trabalho brasileiro. O Estado pode oferecer incentivos fiscais às empresas que assumirem o compromisso de proporcionar a oportunidade de ascenção profissional às mulheres que se destacarem em suas funções, assim como também apoio psicológico para poder identificar melhor quais colaboradoras têm uma situação mais delicada e não podem abrir mão do trabalho. Além disso, o Ministério da Educação, braço do governo responsável pela elaboração e execução da Política Nacional de Educação, em união com as escolas primárias e secundárias de todo país, deve instaurar o ensino sobre assuntos como o respeito e altruísmo ao próximo, independente do gênero, por meio de debates, palestras e afins. Dessa maneira, é provável que a situação da mulher brasileira no mercado de trabalho possa ter rumos melhores.